Morte de jovem cria “cordão sanitário” à França Insubmissa? – Observador



A França Insubmissa ficou no centro da polémica imediatamente após o jovem ter sido hospitalizado. Oficialmente, o partido condenou “com toda a firmeza toda a violência física”. Procurou também demarcar-se do caso. “Contrariamente ao que alguns acreditam, nem Rima Hassan, nem as equipas da França Insubmissa tiveram qualquer contacto com os grupos fascistas que tentaram perturbá-la”, assegurou Manuel Bompard, pedindo “o fim do clima de violência” no país.

Mesmo assim, logo após a hospitalização de Quentin Deranque, ativistas nacionalistas e de direita radical que estiveram perto da universidade começaram a fazer circular a informação de que teria sido a Jovem Guarda Antifascista e membros da França Insubmissa a agredirem o jovem de 23 anos. A consequência? Na noite de 13 para 14 de fevereiro, várias sedes partidárias da LFI em vários pontos do país foram vandalizadas.

O fundador da LFI responsabilizou as declarações de Bruno Retailleau (presidente d’Os Republicanos) e Marine Le Pen pelos atos de vandalismo. “Repetiram acusações sem sentido contra membros da França Insubmissa e exploraram a tragédia que ocorreu em Lyon”, acusou Jean-Luc Mélenchon. Nas horas anteriores, os dois políticos de direita tinham criticado os “militantes de extrema-esquerda” pela violência contra Quentin Deranque. A líder parlamentar da União Nacional até pediu ao Governo para declarar as “milícias de extrema-esquerda como grupos terroristas”.

Do lado do Governo, o ministro da Administração Interna, Laurent Núñez, responsabilizou diretamente a “extrema-esquerda”, numa alusão à França Insubmissa, que foi classificada recentemente pelos serviços de segurança como um partido daquela parte do espetro político. Numa entrevista no dia 15 de fevereiro, o governante aliado de Emmanuel Macron já fazia antever que a Jovem Guarda Antifascista estaria envolvida na morte de Quentin Deranque.

O ministro da Justiça, Gerald Darmanin, ainda foi mais claro, numa entrevista dias depois: “Claramente foi a extrema-esquerda” que matou Quentin Deranque. “Existem, de facto, discursos políticos, particularmente da França Insubmissa e da extrema-esquerda, que levam infelizmente à violência desenfreada nas redes sociais e no mundo físico”, acusou o governante, que avisou que “as palavras podiam matar”.

Atacada em várias frentes, a França Insubmissa fez questão de transmitir em todas as ocasiões a mesma mensagem: a de que nada tinha a ver com a agressão ao jovem de 23 anos. “Quem diz o contrário está a espalhar calúnias”, atacou Jean-Luc Mélenchon. Isso não fez parar os atos de vandalismo contra instalações do partido, pichadas com graffitis a pedir “justiça para Quentin”. Na quarta-feira, a sede do partido, em Paris, foi mesmo alvo de uma ameaça de bomba falsa.

O caso ainda se tornou mais sensível para a LFI na quarta-feira, dia em que foram detidas onze pessoas, incluindo dois assistentes — Jacques-Elie Favrot e Robin Chalendard — e um ex-colaborador do deputado da LFI, Raphaël Arnault. Todos eram membros ou tinham passado pela Jovem Guarda Antifascista, associação que foi fundada pelo atual parlamentar no epicentro da controvérsia.





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