
“Corpus Sancti Francisci”: é assim que a inscrição em latim na vitrine indica a quem pertencem os restos mortais expostos primeira vez ao público na cidade italiana de Assis, no 800º aniversário da morte de São Francisco de Assis.
A exposição, inaugurada este domingo, 22 de fevereiro, decorre até 22 de março e representa “uma ocasião única para poder rezar diante dos restos mortais de São Francisco na igreja inferior da Basílica dedicada ao Santo”, diz o Vatican News sobre o evento, apresentado como “um percurso de fé e espiritualidade conduzido pelos frades, em vários idiomas, com especial atenção à inclusão de pessoas com deficiências”.
A veneração das relíquias do São Francisco de Assis, falecido a 3 de outubro de 2026 “é uma prática antiga entre os cristãos, pois os santos, em particular os mártires, são aqueles que testemunharam com a própria vida que o amor de Deus os envolveu plenamente”. “Francisco é como o grão de trigo que cai na terra e morre, mas ao morrer dá muito fruto”, explica Frei Giulio Cesareo, diretor de Comunicação do Convento de Assis, sublinhando que “Francisco não viveu num tempo muito melhor que o nosso”. ”Havia guerras religiosas, grandes conflitos, disputas familiares, muita injustiça. Ele não viveu em um momento histórico ideal”, descreve ao Vatican News.
“Mensagem universal”
Agora, “no meio de crises sociais e conflitos, São Francisco de Assis continua a transmitir uma mensagem universal de esperança e ação pessoal”, diz o frade certo de que a exposição será “uma experiência significativa” para crentes e não crentes. O estado “danificado” e “consumido” dos ossos demonstra que São Francisco “se entregou completamente” à sua obra, sublinha.
“Numa sociedade cada vez mais centrada em si mesma”, Frei Giulio espera que o evento “vá além do benefício para hotéis e restaurantes, tornando-se uma oportunidade de graça. Inspirados em Francisco, que se doou e se consumiu, que os peregrinos e todos os habitantes da região possam redescobrir o valor de se doar sem medo”, afirma o franciscano.
As reservas para visitar a exposição já somam “quase 400 mil (pessoas) provenientes de todas as partes do mundo, naturalmente com uma clara predominância da Itália”, precisa frei Marco Moroni, guardião do convento franciscano de Assis, citado pelo jornal brasileiro O Globo, apresentando um número que contrasta com o registo de mil visitantes por dia durante a semana e quatro mil aos fins de semana no mesmo período em anos anteriores.
Ver e tocar no relicário
A vitrine transparente que conserva os restos de São Francisco de Assis desde 1978 foi retirada na manhã de sábado do cofre metálico onde permanecia, no túmulo de pedra situado na cripta da basílica, para ficar diante do altar da igreja inferior. Um relicário de vidro à prova de balas e antirroubo, transparente, cobre os restos mortais de Francisco, o que permite aos peregrinos ver, mas também tocar nesse relicário sob a vigilância de câmaras de segurança ligadas durante 24 horas.
O corpo do fundador da Ordem dos Franciscanos, que renunciou às riquezas e consagrou a vida aos pobres, tinha sido transferido para a basílica construída em sua homenagem em 1230, mas o seu túmulo só foi localizado em 1818, após escavações. Agora, precisa, O Globo, “o pequeno esqueleto, cujo crânio foi danificado durante a transferência para a basílica no século XIII, repousa sobre um pano de seda branco”.
A ossada do santo tinha sido exposta apenas um dia e a um público restrito, em 1978, refere o The Guardian, mas especialistas garantem que que a exposição prolongada dos restos mortais de São Francisco não deverá afetar seu estado de conservação. “A vitrine está selada, portanto não há contacto com o ar externo. Na realidade, permanece em condições idênticas às do túmulo”, nota Frei Giulio.
A “iluminação suave” também não deverá ter qualquer impacto nos restos mortais: “A basílica não será iluminada como um estádio”, afirma. E acrescenta:“Isto não é um cenário de filme.”

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