Benjamin voltou a ligar o Button para rejuvenescer a equipa – Observador



A questão do corte de cabelo de Frank Ilett voltou a ficar adiada sem data quando talvez menos se esperasse tendo em conta o desafio final em causa, a recuperação na classificação nem por isso perdeu validade. Depois de uma série de quatro vitórias consecutivas contra algumas das melhores equipas da Premier League como Manchester City, Arsenal, Fulham e Tottenham, o Manchester United teve o primeiro encontro da nova era Michael Carrick sem triunfo, num empate a um em Londres diante do West Ham de Nuno Espírito Santo que ainda assim testou a capacidade de resiliência dos red devils para não desistirem até final e chegarem mesmo ao empate no sexto minuto de descontos. Agora, seguia-se uma nova deslocação a Liverpool para defrontar o Everton e nova oportunidade para voltar a ficar isolado em zona de acesso à Champions após um surpreendente empate caseiro do Chelsea frente ao Burnley consentido em período de compensação.

Parecia que era desta, mas nem Carrick conseguiu e Frank vai continuar sem cortar o cabelo: United empata depois de quatro vitórias seguidas

Mudou o sistema tático, mudou a identidade, mudou a ideia de jogo, mudaram também algumas das opções iniciais – de tal forma que a grande aposta para o ataque, Benjamin Sesko, passou de titular a suplente mas nem por isso perdeu a competitividade de ser lançado na segunda parte e conseguir ter golos que valem pontos, como aconteceu em dois dos últimos três jogos. Mudou o estado anímico geral dos adeptos, mudou a perspetiva em termos de classificação, mudou a forma como os adversários olham para uma partida. Mudou tudo no United desde a saída de Ruben Amorim do comando técnico (com maior ou menor ligação causa-efeito). Tudo ou quase tudo. Mesmo quando tudo parece estar a estabilizar, há sempre uma “polémica” à mistura, neste caso a entroncar numa frase de um dos principais proprietários do clube, Jim Ratcliffe, que numa entrevista concedida à Sky News comentou que “o Reino Unido foi colonizado por imigrantes”.

“Comentários? Penso que Sir Jim fez uma declaração e o clube também se pronunciou. Não me cabe a mim dizer mais sobre isso. Estive neste clube durante muitos anos e todos temos um enorme impacto a nível global, somos realmente responsáveis por isso. Falo apenas da minha experiência pessoal de estar aqui há muito tempo e termos apoiantes de todos os diferentes contextos. Tenho orgulho do que o clube representa e do que tem feito ao longo dos anos”, comentou Michael Carrick a esse propósito, assegurando que a equipa não foi em nada afetada pela polémica que motivou veemente contestação de figuras como Keir Starmer, primeiro-ministro inglês, e Andy Burnham, líder da Câmara de Manchester.

Os rapazes estão com um ótimo espírito. Tivemos tempo para descontrair, agora voltamos a focar no que vem a seguir. Temos um grupo muito forte, seja entre jogadores ou o staff, e estamos sempre em comunicação. Estamos aqui para nos ajudarmos mutuamente”, assegurou.

O técnico, antigo campeão mundial, europeu e inglês pelos red devils, continua a consolidar a sua posição numa nova pele neste regresso a Old Trafford. Os resultados também ajudam mas percebe-se que o treinador foi criando um novo ambiente de “segurança” no clube. “Ele é um tipo que foi multicampeão pelo Manchester United nos tempos de jogador. Ganhou a Premier várias vezes. Foi treinado por Alex Ferguson, que é uma lenda do desporto. Ele sabe o que é vencer aqui. Acredito que, mais do que as questões táticas, o Carrick adiciona muito desse lado de quem conhece os caminhos a representar o clube”, comentou Matheus Cunha, avançado que foi contratado no verão ao Wolverhampton, numa entrevista ao Clube Esporte.

O brasileiro acabou por ser uma das imagens dessa metamorfose total dos red devils, celebrando um pontapé de baliza ganho num lance com Gardner em período de descontos como se tivesse ganho uma Champions e sendo um reflexo do espírito de resiliência e perseverança que todos os jogadores foram conseguindo mostrar nas últimas semanas. Mesmo naquela que foi globalmente a exibição menos conseguida da era Carrick, a aposta em Benjamin Sesko no início da segunda parte voltou a dar frutos, com o esloveno a marcar pelo sexto dos últimos sete jogos, e a premiar uma equipa que se soube regenerar para “rejuvenescer” e somar a quinta vitória em seis jogos, ficando agora apenas a três pontos da terceira posição do Aston Villa.

Com Lisandro Martínez de fora por um problema de última hora e Leno Yoro de regresso à titularidade, o Manchester United até começou com uma oportunidade flagrante, com Amad Diallo a ver uma recarga na área ser defendida por Pickford antes de Tarkowski tirar perto da linha de baliza (4′), mas não conseguiu de seguida manter esse ascendente, mostrando dificuldades na ligação entre meio-campo e ataque (Diogo Dalot, num remate de meia distância, teve o outro bom momento dos red devils na metade inicial a fazer passar a bola perto do poste) e acabando por baixo frente a um Everton bem organizado no plano defensivo e no jogo sem bola e com um livre direto de Gardner que acabou nas mãos seguras de Lammens (39′).

O segundo tempo não trouxe propriamente grandes mudanças na partida, com a parte física do conjunto da casa a continuar a ditar leis sem bola e a fazer esticar o jogo ao plano ofensivo, com Dewsbury-Hall a ter um remate com perigo para nova defesa de Lammens (46′). Sem melhorias, Carrick mexeu pela primeira vez com recurso a uma alteração que começa a tornar-se recorrente trocando Amad Diallo por Sesko e fazendo cair Mbeumo sobre a direita. Apostou, ganhou: numa grande saída em transição que começou num passe em profundidade de Matheus Cunha, Mbeumo arrancou em velocidade e assistiu Sesko para o remate na área de primeira para o 1-0 (71′). Keane (83′) e George (90+2′) ainda tiveram remates perigosos para defesa de Lammens mas a vantagem mínima resistiu até ao fim para um triunfo muito festejado pela equipa de Manchester, que subiu à quarta posição à frente de Chelsea e Liverpool a três pontos do Aston Villa.





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