O melhor da América!
Haja esperança: dois pequenos empresários, Victor Schwartz, importador de vinhos, e Rick Woldenberg, importador de material escolar, encabeçaram um movimento vitorioso de contestação judicial das taxas alfandegárias impostas aleatoriamente por Trump às importações.
O Supremo Tribunal americano deu-lhes razão, mesmo sendo constituído por uma maioria de juízes conservadores ou nomeados por Trump. É o famigerado sistema de checks and balances finalmente a funcionar, numa altura em que o órgão legislativo americano, o Congresso, parecia ter aceite o papel irrelevante que o Presidente lhe destinara. De notar que foram os pequenos, e não os grandes actores da economia americana, a ter a coragem de denunciar a ilegalidade das decisões de Trump relativas às taxas.
É uma grande vitória para os princípios de democracia liberal do nosso mundo ocidental. Schwartz e Woldenberg referiram a enorme pressão e as ameaças múltiplas que já receberam, como num bom filme da máfia. Para quem preza a justiça e a liberdade, eles são dois inesperados heróis da nossa conturbada era dominada por autocratas narcisistas.
Artur Águas, Porto
E se fosse no ISCTE?
O caso de Fábio Teixeira, formado em enfermagem, nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projectos de Energias Renováveis (EMER) fez correr muito tinta e inclusive a suficiente para ser rapidamente decretada a reversão da nomeação.
Efectivamente, o desalinhamento entre a sua área de formação e a natureza da estrutura causa perplexidade. Desconhecemos se terá conhecimentos específicos sobre o sector, como Miguel Barreto, que depois de ter sido director-geral de Energia, se dedicou a criar dúzias de empresas especializadas em ganhar licenças de produção de energia, posteriormente revendidas com interessante mais valias. Os condicionamentos no acesso à produção de energia verde criam oportunidades douradas e talvez Manuel Pina, o presidente da EMER, que nomeou o enfermeiro, tenha algo a explicar sobre eventuais conflitos de interesse com as empresas em que participa/participou.
Podemos ainda especular o seguinte. Se Fábio Teixeira tivesse tirado um curso de “Ciências Políticas” ou outro análogo, porventura menos exigente intelectualmente e tecnicamente também desalinhado, certamente não se levantaria tamanho vendaval… e que desses há por aí muitos, há.
A qualificação para uma função de gestão não se esgota na formação técnica e académica. É indispensável um conjunto de qualidades humanas e de liderança. Formação política nos ISCTE ou nas juventudes partidárias, essas qualificam pouco para o que realmente importa.
Carlos JF Sampaio, Esposende
A lucidez de Pep Guardiola
Pep Guardiola, treinador do Manchester City, a propósito do acto de racismo de que foi vítima Vinicius Júnior no Estádio da Luz aquando do jogo Benfica-Real Madrid realizado no pretérito dia 17, afirmou: “O lugar onde você nasceu ou a cor da sua pele não faz você melhor ou pior que ninguém. Há muito trabalho a ser feito [para combater o racismo]. Este está na sociedade, não só no futebol, Está quando você se sente melhor que outros e os prejudica. O racismo está em todos os lados.”
Questionado ainda Guardiola se o futebol pode ser o motor para combater o racismo respondeu, subliminarmente, que é nas escolas que deve estar a educação e a formação dos jovens para combater o racismo. Cito as suas palavras: “Escolas. Pagar muito dinheiro aos professores. Professores e doutores têm de ser as pessoas mais importantes da sociedade. Não os técnicos de futebol.”
Certamente que Guardiola não quis subestimar ou desvalorizar as outras profissões que existem, mas tem noção da importância das profissões que citou. Evidentemente que na sociedade existirão outros ofícios importantes que serão imprescindíveis, ou melhor, todas as profissões que existem dentro dos seus ramos específicos contribuem para que o viver em sociedade se torne possível, na sua interacção de ofícios que permite o progresso, o bem-estar, o entendimento e o avanço civilizacional. No entanto, Guardiola apercebe-se da importância crucial dos professores. Que tão mal pagos estão no nosso país. Certamente que os docentes, seja na Espanha ou em Portugal, estarão gratos a Guardiola pelo seu lúcido reconhecimento da nobilitante profissão que representa ser professor.
António Cândido Miguéis, Vila Real

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