Luís Neves já tomou posse como novo ministro da Administração Interna e prometeu abraçar “todas as propostas positivas” que lhe cheguem. Tendo deixado a Polícia Judiciária (PJ) a poucos meses de concluir o seu terceiro mandato como director nacional, o novo ministro afasta quaisquer “reservas” quanto a esta transição e explica ter sentido o apelo para “abraçar este novo projecto”.
No final da cerimónia, que decorreu no Palácio de Belém, Luís Neves foi questionado sobre o seu papel na PJ na investigação ao dossier Spinumviva e à construção da casa de Espinho de Luís Montenegro, apressando-se a afastar qualquer conflito relacionado com o seu passado na investigação criminal: “O director nacional não investiga ninguém. O papel de um director nacional é organizar e prover meios para a instituição.”
Também sobre transitar directamente da liderança da PJ para o Governo passou uma ideia de tranquilidade: “Senti-me completamente tranquilo. Entendo que a questão possa ser colocada, [a ida para o executivo] não me oferece reservas nenhumas”, afirmou, em declarações transmitidas pela RTP Notícias. “Aceitei com muito ânimo, ciente do papel que tive e ciente do papel que tenho”, acrescentou.
Já sobre se agora, como ministro, manterá a posição assumida enquanto director nacional da PJ, favorável a melhores condições salariais para as restantes forças de segurança, Luís Neves garante que sim. “Naturalmente que o que fiz no passado… continuarei a trabalhar no sentido de dotar as pessoas e as instituições dos melhores meios possíveis.”
O novo governante enquadrou depois aquilo que considera ser necessária para desempenhar esta nova função. “Trabalhar na Administração Interna é trabalhar na prevenção, antecipação, na proactividade, é trabalhar também com espírito aberto, de cooperação, colaboração e coordenação, em todas as áreas”, apontou, para logo deixar uma mensagem de apelo à cooperação: “Dirijo uma palavra de grande estímulo, dizer que conto com todas as mulheres e homens que trabalham nas estruturas da GNR, PSP, na Protecção Civil, nos bombeiros, nas Forças Armadas enquanto agentes da protecção civil e, sobretudo, uma palavra para os autarcas.”
Lembrando que é natural da Beira Baixa e sinalizando uma “costela alentejana”, Luís Neves prometeu depois trabalhar em estreita colaboração com o poder local, ciente de que a ligação do titular da Administração Interna aos autarcas é fundamental. “Sei o que é o interior do país, conheço os anseios e dificuldades das pessoas e conto com todos os autarcas, todo o poder local, para juntos podermos levar por diante aquilo que é a missão que hoje assumi.”
Prometendo “coordenação e cooperação”, avisou para “que ninguém se sinta dono de nada” porque “há momentos em que todos temos de interagir”.
Deixou depois a garantia de que está preparado para enfrentar todos os “desafios da área da Administração Interna”. “Tenho tempo e capacidade, espero eu, para escutar todas as pessoas.” E assegurou que estará disponível para dialogar e aceitar ideias, desde que estejam de acordo com a sua consciência. “Todas as propostas que sejam positivas serão abraçadas e tidas em conta. As que violem a minha consciência e que têm norteado a minha vida, com uma fundamentação, serão afastadas”, notou.
Por fim, fez por deixar uma última explicação para aceitar o desafio de integrar o Governo de Luís Montenegro. “Foi uma questão de exigência face ao momento que vivemos”, reforçou, salientando que sempre foi “um servidor público”, que pretende continuar a sê-lo numa fase particularmente exigente e sublinhando a “honra” de servir os portugueses.
Além de dar posse a Luís Neves, o Presidente da República empossou também os três secretários de Estado do Ministério da Administração Interna: Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Telmo Correia, da Administração Interna, e Rui Rocha, da Protecção Civil. Os três governantes são reconduzidos, sendo que integravam já o ministério durante a tutela de Maria Lúcia Amaral e também nas quase duas semanas em que coube a Luís Montenegro assumir “transitoriamente” a pasta.
Maria Lúcia Amaral não compareceu na cerimónia que decorreu na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém.

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