Sam Altman considera “ridícula” a ideia de colocar centros de dados no espaço | OpenAI


O director executivo da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, classificou na sexta-feira como “ridícula” a ideia de construir centros de dados no espaço, uma estratégia recentemente assumida por Elon Musk, seu concorrente no campo da inteligência artificial.

“Sinceramente, acho que, no cenário actual, a ideia de colocar centros de dados no espaço é ridícula”, afirmou Sam Altman numa entrevista durante a Cimeira sobre o Impacto da inteligência artificial (IA) 2026, em Nova Deli, na Índia.

O fundador do ChatGPT admitiu que centros de dados espaciais poderão “fazer sentido um dia”, mas sublinhou que os custos de lançamento e as dificuldades de reparação de equipamentos como chips no espaço continuam a ser obstáculos significativos. “Ainda não estamos lá. Chegará o momento. O espaço é excelente para muitas coisas. Os centros de dados orbitais não são algo que vá ter uma relevância em escala nesta década”, acrescentou.

Apesar de hoje se mostrar céptico, Altman tinha admitido, numa entrevista em 2025, que colocar estas infra-estruturas na órbita terrestre poderia ser uma solução num hipotético futuro em que “grande parte do mundo acabará coberta por centros de dados”.

Esse cenário, contudo, tem estado no centro dos planos de Musk. A sua empresa aerospacial, a SpaceX, está a actualizar a sua constelação de satélites, a Starlink, para a transformar numa plataforma de computação distribuída em nuvem, com o objectivo de criar uma rede de centros de dados em órbita terrestre baixa.

Em Dezembro do ano passado, durante uma reunião com colaboradores da xAI, a sua empresa de IA, Musk afirmou que os centros de dados espaciais faziam parte das ambições da xAI. Este mês, noutro encontro com a equipa, destacou que a fusão da xAI com a SpaceX permitirá acelerar a concretização dessa estratégia.

Musk não está sozinho nesta etapa da corrida ao espaço. Em Novembro de 2025, a Google apresentou o Project Suncatcher, destinado a criar centros de dados orbitais, onde chips especializados seriam alimentados por painéis solares. Mais recentemente, e num podcast da empresa, o CEO Sundar Pichai adiantou que o lançamento dessas infra-estruturas poderá começar já em 2027.

As empresas tecnológicas e de inteligência artificial dependem dos centros de dados de grandes dimensões para suportar modelos de linguagem de grande escala (LLM). Estes centros, por sua vez, requerem quantidades consideráveis de energia e de recursos hídricos, sobrecarregando as actuais redes de abastecimento. Esse impacto, para além da poluição associada, pode afectar negativamente a qualidade de vida das populações mais próximas.

De acordo com o site Gizmodo, existem actualmente mais de 5 mil centros de dados de IA nos Estados Unidos. Projectos de expansão destas infra-estruturas no Texas, no Oklahoma e noutros estados norte-americanos têm enfrentado crescente resistência por parte das comunidades locais.



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