Benfica fora da Champions, Vinicius Jr. voltou a dançar | Crónica de jogo


Durante boa parte dos 90+9 minutos no Santiago Bernabéu, o Benfica deu a sensação de que iria dar seguimento ao seu milagre na Luz e abater o Real Madrid da Liga dos Campeões, mas acabou por ser ele próprio abatido. Os “encarnados” estão fora da Champions, após nova derrota frente aos “merengues”, desta vez por 2-1, depois de já terem perdido há uma semana por 0-1. Rafa ainda deixou os “encarnados” em vantagem durante menos de dois minutos da primeira parte, mas quem ficou com o jogo foram os “blancos”, alimentados pelos golos de Tchouaméni e Vinicius Jr, que voltou a marcar e a dançar. Dependendo do que ditar o sorteio, o Real pode defrontar nos “oitavos” o Sporting ou o Manchester City.

Alguém se lembrou que este Real Madrid-Benfica era um confronto entre as duas equipas que ganharam os primeiros sete títulos de campeão europeu? Alguém se lembrou da admiração mútua entre Di Stéfano e Eusébio? As circunstâncias deste jogo não davam espaço a essas considerações históricas. Todas as narrativas associadas este embate entre “águias” e “merengues” – Vinicius Jr./Prestianni, Mourinho na bancada, confrontos nas ruas de Madrid entre polícia e adeptos – eram de origem recente. No meio de tudo isto, havia uma eliminatória de Champions para ganhar, e era o Real que estava no comando. Geralmente os “merengues” afinam quando a Champions está em jogo, mas uma equipa que perde com o Osasuna…

E pode dizer-se que o Benfica tinha uma arma fundamental para este embate, José Mourinho, ele próprio um herói do madridismo, que, na fase liga, já tinha desenhado uma vitória dominadora por 4-2, na Luz. Devido à expulsão no jogo da primeira mão, Mourinho estava na bancada, mas, claro, era ele que puxava os cordelinhos. Sem Prestianni, que não foi a jogo por castigo da UEFA (e veremos se fica por aqui), os “encarnados” apresentaram-se numa versão menos vertiginosa e mais de pressão, com mais um médio (Rios regressou). A intenção era clara, atrapalhar o Real no seu terço mais recuado, porque Mourinho (e toda a gente) sabe que os “merengues” são uma equipa incompleta – e não era por não terem Mbappé. Basta dizer que defender não é uma prioridade para o Real.

Nos primeiros minutos de jogo, quase só deu Benfica. Pressão alta constante, a dificultar a construção a partir de trás da equipa de Arbeloa, recuperação rápida da bola e muita presença “encarnada” no seu meio-campo ofensivo. E aos 14’, o Bernabéu assistiu em silêncio ao 0-1 para o Benfica como uma inevitabilidade pelo que o jogo estava a mostrar. Dedic viu bem o espaço vazio para direccionar a joga para Rios, o colombiano endossou a bola para Pavlidis, que tentou um cruzamento. Asencio fez um corte na direcção da sua baliza que Courtois defendeu, mas Rafa estava lá para fazer o golo.

Seria um golo muito saboroso para o Benfica se os “encarnados” tivessem tido tempo para o saborear. Praticamente na resposta, o Real, como se tivesse acordado de repente, empatou. A jogada desenvolveu-se na direita, entre Guler e Valverde, com o uruguaio a fazer o passe atrasado para Tchouaméni. Remate certeiro e sem hipótese de defesa para Trubin, e o jogo estava como começara – empatado e com vantagem “merengue” no acesso aos “oitavos”.

Se há coisas que o Real Madrid não sabe fazer, atacar, seguramente não era uma delas. E este golo do empate era a prova disso. Já mais acordado, o Real tentou fazer mais vezes uso da qualidade individual dos seus artistas, ora Vinícius a investir pela esquerda, ora Valverde ou Trent a avançar pela direita. Ainda durante a primeira parte, os “merengues” festejaram mais um golo, de Guler, que conseguiu rematar antes de Trubin agarrar a bola – o golo acabaria por ser invalidado por fora de jogo de Gonzalo Garcia no desenvolvimento da jogada.

O Benfica passou um mau bocado, mas não se desfez e, ainda antes do intervalo, esteve perto de recuperar a vantagem no jogo, com um remate de Rios que Courtois defendeu com dificuldade. Era um bom sinal dos “encarnados” para a segunda parte. Mas foi o Real quem começou por estar mais perto do golo em dois momentos, primeiro num cruzamento de Trent pela direita que, nem Garcia, nem Valverde conseguiram desviar, depois a ser o próprio lateral britânico a atirar ao lado após jogada individual.

Enquanto o jogo estivesse empatado, o Benfica só precisava de um golo para nivelar a eliminatória, e esse golo quase aconteceu aos 60’, num belo remate de trivela de Rafa, após um passe de Pavlidis – a bola bateu na trave da baliza do Real. O Benfica não voltaria a estar tão perto de marcar mais um no Bernabéu, mas Mourinho estaria a gostar do que estava a ver – zero substituições, zero investimento no ataque, zero risco.

Aos 80’, o Real agarrou o lugar nos “oitavos” e já não o largou. Bola ganha por Valverde no meio-campo e passe a rasgar o campo todo na direcção de Vinicius Jr.. O brasileiro dominou, correu, nem deu pela aproximação de Otamendi e fez o 2-1. A festejar, fez exactamente o que tinha feito na Luz, foi dançar para a bandeirola de canto e, desta vez, foram mesmo só festejos – não houve ninguém a tapar a boca.

Só após o golo sofrido é que Mourinho finalmente meteu gente diferente em campo – Ivanovic, Sidny, Barrenechea. Mas já foi muito tarde e, desta vez, já não valia a pena mandar Trubin para o ataque…





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