Adiada a entrada dos comboios eléctricos em toda a extensão da linha do Algarve | Comboios


A linha do Algarve, que deveria estrear a tracção eléctrica no início de Março, viu mais uma vez adiada a entrada dos novos comboios devido a razões que nem a IP – Infraestruturas de Portugal nem o IMT (Instituto da Mobilidade dos Transportes) quiseram explicar.

Os trabalhos estão concluídos desde, pelo menos, Outubro passado, de acordo com declarações do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, na Assembleia da República, em Novembro passado, faltando apenas a formação de maquinistas e a certificação de segurança da linha, o que permitiria ter a electrificação em funcionamento no primeiro trimestre de 2026.

Mas, de acordo com o IMT, que é a entidade responsável pela segurança ferroviária, a IP só deu entrada do processo de Autorização de Entrada em Serviço (AES) do subsistema Energia relativo à electrificação da Linha do Algarve em 21 de Janeiro passado, estando ainda a decorrer o prazo legal para o analisar.

Por sua vez, a IP limitou-se a dizer que “decorre actualmente o processo de ensaios e certificação em articulação com a ANSF [Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária], cujo objectivo é garantir que todos os procedimentos de segurança e conformidade são rigorosamente cumpridos assegurando a fiabilidade e eficiência da linha electrificada”.

A IP não respondeu ao PÚBLICO quais os motivos de mais este atraso nem qual a nova data para o início da exploração da totalidade da linha do Algarve em tracção eléctrica.

Por parte da CP, a empresa já tinha os seus maquinistas formados para conduzirem as automotoras eléctricas e um novo horário com uma oferta comercial mais robusta.

Em 2016, quando foi anunciado o Ferrovia 2020, eram outras as expectativas para a linha do Algarve. De acordo com o power point então apresentado, a conclusão e entrada ao serviço da electrificação da linha mais ao sul do país deveria ter lugar no terceiro trimestre de 2021.

Mas no terreno nada avançou nesses anos e só em Novembro de 2021 é que seria consignada a obra para o troço Faro – Vila Real de Sto. António (a consignação do trajecto entre Tunes e Lagos só ocorreria em Junho de 2022).

Na cerimónia da consignação do troço a Sotavento, que se realizou em Vila Real de Sto. António, Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, disse que a circulação de comboios eléctricos entre aquela cidade e Faro seria uma realidade no final de 2023. Mais: os comboios Intercidades e o Alfa Pendular iriam deixar de terminar a sua marcha em Faro e poderiam seguir até ao fim da linha, a centenas de metros da margem esquerda do Guadiana.

Aquele prazo, porém, seria sucessivamente adiado e quanto aos comboios, os Intercidades não podem passar pela ponte de Tavira porque não foi atempadamente previsto o reforço daquela infra-estrutura para suportar a passagem das locomotivas.

De resto, a oferta que a CP tinha preparada para iniciar já no próximo Domingo – se houvesse electrificação – não contempla o prolongamento do Alfa Pendular a Vila Real de Sto. António, embora introduza várias melhorias na oferta: prevê mais comboios, mais rápidos e sem ter de se fazer transbordo em Faro.

O anúncio da conclusão da obra em 2023 foi feito na presença do então ministro Pedro Nuno Santos. Mas em 2023 foi a vez do seu sucessor, João Galamba, fazer uma visita ao Algarve e anunciar que as obras estariam concluídas em 2024. Seguiu-se Miguel Pinto Luz que, quando concluiu em Faro o seu percurso pela EN2 no âmbito do evento Ver para Fazer, garantiu que no início de 2026 a tracção eléctrica seria uma realidade acabando com as “promessas sucessivamente adiadas”.

Mas de momento nenhuma entidade se compromete com uma nova data para a entrada em serviço da electrificação.



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