
Ayatollah Ali Khamenei foi morto num ataque enquanto se encontrava no seu local de trabalho, no complexo Beit Rahbari, em Teerão. A notícia da morte do líder supremo do Irão, avançada horas antes em Israel e nos pelos Estados Unidos, foi confirmada na madrugada deste domingo pelos media iranianos.
Numa publicação na conta de Telegram da agência estatal IRIB, é afirmado que “o Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irão foi martirizado no seu local de trabalho no Beit Rahbari”. A mesma mensagem acrescenta que Khamenei “estava a cumprir as suas funções e presente no seu local de trabalho (o seu gabinete) no momento do martírio” e que “o ataque ocorreu nas primeiras horas da manhã de sábado”.
Uma agência, descrita como semi-oficial pela NBC News, avançou também que “o Grande Ayatollah Khamenei, Líder Supremo da Revolução Islâmica, foi martirizado num ataque conjunto pelos criminosos Estados Unidos e pelo regime sionista”. O texto refere ainda que o líder supremo “devotou a sua vida à elevação do Irão e do Islão” e que, “se Deus quiser, está unido ao Imam e ao Mestre dos Mártires”.
Morte já anunciada por Trump, sugerida por Netanyahu
Paralelamente, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Khamenei foi morto na ofensiva lançada sobre o país pelos Estados Unidos e por Israel, embora um dos relatos reunidos refira que “Teerão ainda não confirmou”. “Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto”, escreveu Trump numa publicação na rede social Truth Social. Para o Presidente norte-americano, a morte significa “justiça para o povo iraniano”, mas também “para todos os americanos e para as pessoas de diversos países do mundo, que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e pela sua gangue de bandidos sedentos de sangue”.
Cheng Xin
Trump acrescentou que o líder supremo não conseguiu escapar à “inteligência” e aos “sofisticados sistemas de rastreamento” dos EUA, considerando este momento “a maior chance para o povo iraniano recuperar o seu país”. O Presidente norte-americano referiu ainda que há membros das forças armadas e de outras forças de segurança que não querem “lutar mais” e que estão à procura de “imunidade”, apelando a que a Guarda Revolucionária Islâmica e a polícia se “unam pacificamente” aos “patriotas iranianos”. Caso contrário, escreveu, os bombardeamentos vão continuar “durante toda a semana” até que os Estados Unidos alcancem a “paz em todo o Médio Oriente e no mundo”.
Antes do Presidente norte-americano ter anunciado a morte, já Benjamin Netanyahu se havia dirigido este sábado ao povo iraniano. No discurso, o primeiro-ministro de Israel revelou haver “sinais” crescentes de que o “ditador” morreu, referindo-se ao líder Supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei. No entanto, assegurou que o conflito vai manter-se “enquanto for necessário”.
Membros da família mortos, luto durante 40 dias
Entretanto, a agência Fars, descrita como “semi-oficial” e ligada à Guarda Revolucionária, noticiou que uma filha de Khamenei, o genro e uma neta morreram nos ataques de hoje, acrescentando ainda que “também foi reportado” que uma nora terá sido morta. No mesmo conjunto de informações, é referido que Trump disse que Khamenei foi morto, mas que o Irão não confirmou e que um relatório da Fars “pareceu dizer” que fontes negavam a alegação.
Uma outra nota indica que o Irão observará 40 dias de luto e sete dias de feriados para homenagear Khamenei, segundo a Nour News, na sequência de uma declaração oficial de “martírio” por parte do Governo.
Reza Pahlavi, de 65 anos, vive exilado nos Estados Unidos
Kevin Dietsch / Getty Images
Filho do último xá celebra morte
Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irão, também se pronunciou nas redes sociais, celebrando a morte — descrita no próprio texto como “ainda não confirmada” — e afirmando que “com a sua morte, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim”. Numa publicação na rede social X, chamou-lhe “o sanguinário Zahhak do nosso tempo” e apelou a que as pessoas se mantenham “vigilantes e preparadas”, defendendo que “o momento para uma presença alargada e decisiva nas ruas está muito próximo”. Disse ainda que qualquer tentativa do regime de nomear um sucessor “está condenada ao fracasso” e que quem for colocado no lugar de Khamenei “não terá legitimidade nem longevidade”.

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