“O objetivo dos EUA é impedir uma coligação da Eurásia”: a guerra no Irão como capítulo da rivalidade com a China

Após o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, é agora improvável ambas as partes aceitarem um conflito de curto prazo. Foi para isso que alertaram Tomé Ribeiro Gomes, professor de relações internacionais da Universidade da Beira Interior e da Universidade Católica, e Alberto Cunha, professor convidado na Universidade de Lisboa, investigador associado do Instituto de Defesa Nacional e IPRI.

Nesta conversa, no podcast “O Mundo a Seus Pés”, a guerra é enquadrada no contexto de declínio global dos Estados Unidos (“os grandes poderes começam a ficar mais perigosos quando estão a declinar”) e da rivalidade norte-americana com Pequim (“o principal objetivo dos EUA é impedir uma coligação da Eurásia”).

Na perspetiva dos dos dois analistas, a guerra é uma jogada muito arriscada da administração Trump. Tomé Ribeiro Gomes vinca que “o radicalismo decorrente do assassínio do ayatola [Ali Khamenei] não se vai cingir ao mundo xiita”.

Já Alberto Cunha expõe que “estes Estados Unidos não estão interessados em liderar a ordem liberal” e que poderes destrutivos são usados para criar ordem, mas Donald Trump não sabe fazê-lo. O professor convidado na Universidade de Lisboa, investigador associado do Instituto de Defesa Nacional e IPRI destaca que “esta intervenção faz sentido no confronto entre os EUA e a China”.

Neste episódio de “O Mundo a Seus Pés”, conduzido por Catarina Maldonado Vasconcelos, a propósito da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, a edição técnica é de João Luís Amorim e a fotografia é da autoria de Nuno Fox.

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