Resolução de alguns “cortes será bastante demorada” – Observador



As tempestades que assolaram o país em janeiro e fevereiro resultaram em mais de 336 cortes nas estradas nacionais, estando hoje “mais de 90% dos cortes resolvidos”, indicou Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, em audição regimental no Parlamento.

“É um trabalho hercúleo dos homens e mulheres que trabalham na IP. Mais de 2000 trabalhadores que merecem o nosso reconhecimento por toda a sua competência e dedicação”, afirmou, assumindo, no entanto, que “alguns dos cortes ainda em vigor serão bastante demorados. Falamos de obras de engenharia altamente complexas, em certos casos os deslocamentos de terra foram tais que podem impedir que a estrada seja reconstruída na mesma localização” e que obrigam a projetos de execução, lançamento de empreitadas, a sondagens e outros estudos do terreno.

Foi logo na intervenção inicial que Pinto Luz deu conta deste balanço, dizendo que foi dada instrução à IP para que “liste todas as ocorrências quer em ferrovia, quer em rodovia, e defina critérios de priorização e proceda à monitorização das intervenções”.

Dá como exemplo, para mostrar a complexidade, a estrada nacional 232 em Manteigas. “Todos vimos as imagens e a total destruição daquela estrada e percebemos que terão de ser feitos estudos no terreno e desenvolvidos projetos antes de se iniciar qualquer obra”. Tal como na linha da Beira Baixa, na ferrovia, uma reparação que “só poderá ser efetuada através da linha, dificultando em muito as operações e cuja interrupção durará cerca de seis meses”. A CP tem serviços alternativos por autocarro, mas, assume Pinto Luz, “há uma quebra real da qualidade do serviço prestado àquelas populações e que se prolongará por um período de tempo que é longo”. Pinto Luz recorda que há estradas que são municipais.

Na ferrovia, na Linha do Oeste, “os danos foram imensos, atrasando ainda mais uma obra já por si muito atrasada”. O troço Caldas-Louriçal já foi, no entanto, reaberto.

Nos portos, indicou ainda, “a situação mais complexa” é a do quebra-mar exterior do porto de Leixões. A obra de recuperação será de cerca de 30 milhões de euros.

Noutra área também da tutela de Pinto Luz, as comunicações, o ministro das Infraestruturas indica que nas comunicações existem “cerca de 280 mil utilizadores afetados na rede móvel, estando já resolvidas mais de 99% das situações”. Na rede fixa, “a situação tem resolução mais demorada, estando também todos os esforços para a recuperação a serem levados a cabo”. Estiveram envolvidos mais de 4.700 trabalhadores nos trabalhos de recuperação.

O Governo determinou ao LNEC a realização de uma avaliação técnica independente às infraestruturas da rede rodoviária e ferroviária nacional. Pinto Luz indica que já foi recebido um primeiro relatório e há visitas de geotecnia a serem realizadas há um mês. Os relatórios sobre “pontes, taludes estão a acontecer”. Quando o relatório final estiver feito será apresentado ao Parlamento, prometeu.





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