Habermas
O extenso artigo do jornalista António Guerreiro na edição de 15 de Março sobre Jürgen Habermas, referindo a obra do filósofo alemão, omite a importância cívica da sua oposição à tese do historiador Ernst Nolte que pretendeu justificar as atrocidades nazis como resposta aos crimes do estalinismo contra o seu próprio povo. Essa intervenção de Habermas deu origem a um debate na Alemanha na década de 1980 que ficou conhecido como a “querela dos intelectuais”. Uma compilação desses textos saiu na editora francesa Cerf em 1988. Aí se pode comprovar que a grande maioria da intelectualidade alemã repudiou a tese de Nolte tentando justificar o Holocausto como resposta aos crimes do estalinismo.
José Pereira da Costa, Corroios
O pacote laboral do Governo e da CIP
A ministra dita do Trabalho e dos grandes patrões (CIP) deixou de fora na última reunião dos parceiros envolvidos na discussão do pacote laboral a maior representação sindical – a CGTP. Propositadamente, porque mais próxima dos direitos de quem trabalha. Convidou a UGT para a reunião porque sabe que a maioria dos trabalhadores a considera ”conciliadora, moderada e assina (quase) sempre a favor de leis antitrabalhadores”. Contenta-se com poucochinho…
A lei em vigor é má e não valoriza o trabalho, perfila-se esta, que é pior – um atentatório retrocesso civilizacional contra os trabalhadores, querendo-os escravos e submissos ao patronato. A arrogância prepotente extrema da ministra dos patrões é clara: caso não haja acordo entre os parceiros, a versão inicial do pacote laboral será levada ao Parlamento e terá os votos da IL (intervenção capitalista) e do neofascista Chega. Não sendo aprovada – será por decreto desgovernamental. A CIP aplaudirá com regozijo…
Vítor Colaço Santos, São João das Lampas
Serviços postais: escândalo nacional
Os CTT, como sempre os conhecemos, não existem em Portugal: desde a sua inaudita privatização, os CTT são quase exclusivamente um banco. Desde longa data os serviços postais portugueses desempenharam sempre bem a sua função, como era devido. As condições da privatização incluíram certamente cláusulas sobre o cumprimento das obrigações postais. Considerando as graves anomalias com que nos defrontamos, seria agora altura de rever o acordo celebrado e as condições actuais do péssimo funcionamento. Em ambas as situações devem ser apuradas responsabilidades.
A revista Time (quinzenal), que assino e me é anunciada por email, chegava sempre no dia previsto. Agora é diferente: recebi ontem as duas últimas edições, incluídas numa molhada de revistas e outra correspondência. Todos os anos recebo uma carta dos EUA, que costuma chegar nas vésperas de Natal: recebi ontem a habitual carta, enviada a 15 de Dezembro – três meses depois! E as notificações das Finanças relativas ao IMI que não me foram entregues, motivando o pagamento de multa? Essa notificação foi entregue, sim, mas por carta registada.
Manuel Figueiredo, Laúndos
Lata!
Nada que não se esperasse! A Associação Portuguesa do Ensino Superior (APESP) quer ensino de “borla”. Ou seja, que os alunos de Medicina das universidades privadas, nos seus estágios nas unidades públicas de saúde, os façam sem pagar nada, à semelhança do que acontece com os colegas das universidades públicas. Então… e os hospitais privados? Saberão os senhores da APESP que são os médicos do público, assoberbadíssimos, que os ensinam? Os mesmos que aguentam o SNS no que dói, enquanto os que saem enriquecem os cofres dos privados! E a mesma APESP tem o topete de “ameaçar” com queixa ao Tribunal Constitucional. Não consigo continuar e só lhes digo: que grande “lata”, tenham vergonha na cara!
Fernando Cardoso Rodrigues, Porto
A cobardia do omnipotente
Trump não se cansa de dizer que a América não precisa de ninguém, mas agora quer que nós, europeus que não são tidos nem achados para iniciar este conflito, enviemos os nossos barcos para Ormuz. “Estou a matá-los e estou orgulhoso disso”, disse ele em plena “orgia” da guerra aérea, praticamente sem riscos. Ora, mandar barcos para o estreito de Ormuz já comporta riscos, e então aí já se chama por ajuda. Já que tem a Armada mais poderosa do mundo e até tem os barcos na zona, que os mande à frente.
Quintino Silva, Paredes de Coura

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