Igreja começou a contactar vítimas de abuso sexual que não vão receber compensação | Igreja Católica


Algumas das vítimas de abuso sexual na Igreja Católica já foram informadas por telefone da rejeição do seu pedido de compensação financeira, confirmou na sexta-feira fonte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

“Em algumas situações de não elegibilidade têm vindo a ser feitos contactos telefónicos prévios para escutar e acolher as vítimas”, disse fonte da CEP à Lusa, confirmando uma notícia do Observador.

Apesar do contacto via telefone feito pela Igreja Católica às vítimas que não vão receber compensação financeira, a mesma fonte da CEP indicou que todas as pessoas que apresentaram um pedido de compensação serão notificadas da decisão, seja ela positiva ou negativa.

“Este é um processo de grande sensibilidade, que exige respeito absoluto pelas vítimas”, referiu ainda fonte da CEP, apontando que “não entrará em pormenores adicionais, tendo em conta a confidencialidade do processo e a privacidade das pessoas envolvidas”.

Até ao final do ano de 2025, segundo um comunicado publicado no início de 2026, foram recebidos 95 pedidos de compensação financeira e, desse total, 84 “transitaram para análise da Comissão de Fixação da Compensação após as entrevistas realizadas pelas Comissões de Instrução”.

Mais tarde, a Igreja Católica Portuguesa avançou ter já definido as compensações financeiras a pagar às vítimas de abuso sexual e, no final de Fevereiro, em assembleia plenária extraordinária com a presença do Núncio Apostólico e de responsáveis da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, “os bispos definiram os montantes a atribuir aos pedidos analisados, tendo por base os pareceres da Comissão de Fixação da Compensação”.

No próximo mês de Abril, tal como foi anunciado em Janeiro, a CEP vai analisar a continuidade do Grupo Vita em assembleia plenária.

Aproxima-se o fim o processo desencadeado quando, em 2023, o relatório da comissão independente liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht que analisou as situações de abuso sexual perpetrado no espaço eclesial português concluiu que pelo menos 4815 pessoas teriam sido vítimas desse abuso, nos 70 anos anteriores.

Na altura, o relatório provocou uma onda de choque, ao revelar a pouca idade das vítimas à data dos abusos e a “esmagadora maioria” de padres entre os abusadores — estes apareciam como “culpados” em 77% dos casos apurados, os quais ocorreram maioritariamente em seminários.



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