Atletismo: Portugal voltou a saltar para o título mundial à boleia de Gerson Baldé | Atletismo


O atletismo português fechou o Campeonato do Mundo de pista curta com chave de ouro. Ou melhor, com um novo salto de ouro. Depois de Agate de Sousa arrebatar o título na prova feminina, foi a vez de Gerson Baldé lhe seguir as pisadas no masculino, com um incrível salto final de 8,46m, que constitui a melhor marca do ano.

É uma das grandes surpresas dos Mundiais de Torun, que neste domingo terminam na Polónia. O talento de Baldé não é novidade, mas a capacidade de se impor nos grandes palcos, aos 26 anos, frente a uma concorrência de peso, não deixa de espantar. Mais ainda se tivermos em conta o andamento da final.

Gerson Baldé, natural de Albufeira, chegou aos Mundiais com a terceira melhor marca de 2026, 8,32m alcançados em Braga, a 14 de Fevereiro. Acima do algarvio, só o italiano Mattia Furlani (8,39m) e o búlgaro Bozhidar Saraboyukov (8,45m). Em tese, seria um dos mais bem preparados para chegar ao pódio.

A evolução do concurso, porém, esteve longe de o confirmar. Começou com um salto a 8,17m, seguido de um nulo, e um ensaio um pouco mais modesto do que o primeiro (8,07m), com mais um nulo a seguir. Nessa altura, ocupava o quinto lugar, mas ganhou um pouco de alento com os 8,19m que alcançou no quinto ensaio.

Faltava um salto, porém, e a margem de progressão ia ter de ser significativa para chegar ao pódio. Em rigor, precisava de sete centímetros, mas o que conseguiu foi absolutamente notável: na derradeira tentativa, saltou para uns impensáveis 8,46m, ultrapassando toda a concorrência – o italiano terminou com 8,39m e o búlgaro terminou com 8,31m.

Uma marca desta grandeza também fez cair, naturalmente, o recorde nacional que vigorou até este domingo no salto em comprimento e que tinha a assinatura de Carlos Calado, com 8,36m, fixados ao ar livre, em Lisboa, em 1997. E permitiu ainda a Gerson Baldé superar os 8,45m que constituíam, até então, a melhor marca do ano (de Bozhidar Saraboyukov, precisamente).

Contas feitas, Portugal fecha esta edição dos Mundiais de pista coberta com três medalhas, duas de ouro e uma de prata, todas alcançadas neste domingo, e que lhe permitem terminar em quarto lugar no medalheiro final, apenas atrás dos EUA, da Grã-Bretanha e da Itália.



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