Olha para o que eu digo, não para o que eu faço
Num país que apresenta uma enorme incompetência no que se refere à gestão e administração da maior parte dos campos que são da responsabilidade do Estado, como tão bem refere Manuel Carvalho no seu artigo Um Estado que amordaça e paralisa a sociedade, no PÚBLICO de 19 de Março, se não fosse trágico quase que se poderia considerar anedótico. Da gestão dos seus serviços à perda de milhões de euros do PRR, na nomeação de administrações públicas que não conseguem eficiência na CP, bem como o poder político na Assembleia da República que não consegue consensos para cargos como o provedor da Justiça, nomeação de juízes para um órgão da maior importância como é o Tribunal Constitucional, em tudo isto o Estado falha. Curiosamente, ou talvez não, são estes que estão muito preocupados com uma legislação que torne o país mais competitivo.
António Barbosa, Porto
Alienados da bola
Numa estação de metro do Porto, em hora de ponta, a composição chega sobrelotada e as pessoas aglomeram-se para entrar. É dia de jogo de futebol, os futeboleiros e desocupados são tantos que quem trabalhou o dia inteiro não consegue regressar a casa, e tem de esperar pelo próximo veículo. Quem conseguiu entrar e se transformou numa sardinha em lata, ouve a conversa típica dos alienados, que gravita à volta da bola. Nem uma palavra sobre a guerra no Médio Oriente que encareceu o gasóleo em 49 cêntimos e a gasolina em 26,5 cêntimos, nem uma exclamação sobre os aumentos significativos dos preços que afecta o poder de compra das famílias ou sequer uma manifestação sobre o impacto do custo da energia na economia. O que importa é o golo de logo à noite e a táctica do mister contra a inflação!
Emanuel Caetano, Ermesinde
Constitucional no Supremo
Ao ler o artigo de Adão e Silva de sexta-feira, mais convicto fico que a existência do Tribunal Constitucional (TC) como está, deve acabar. Pode e deve ser substituído por uma secção específica dentro do Supremo Tribunal de Justiça. Tal como está, não dá qualquer garantia do cumprimento da mesma Constituição de que são juízes encarregados de a defender e fazer cumprir. O artigo de Adão e Silva confirma isso mesmo.
É uma negociação ao nível das “feiras de gado” que mencionava Santos Silva a propósito das negociações em sede de concertação social. A esquerda, sobretudo a urbana chique, ainda não sabe como lidar com a nova realidade chamada Chega. A continuar assim, só o alimenta, e se nas próximas eleições subir ainda mais nos mandatos, aposto que essa mesma esquerda irá apelar para o fim do TC substituindo-o pelo Supremo. Vale uma aposta?
António Lamas, Montijo
O sol quando nasce não é para todos
Afinal, alguma coisa está errada com a expressão “O sol quando nasce é para todos”. Por que motivo a idade legal de reforma em Portugal, para o cidadão comum, é de 66 anos e nove meses em 2026, subindo para 66 anos e 11 meses em 2027? Já ao cidadão Mário Centeno, economista e político português, que foi ministro das Finanças no período de 26 de Novembro de 2015 a 15 de Junho de 2020, tendo deixado o cargo de governador do Banco de Portugal em 2025, e com a “bonita” idade de 59 anos, é concedida a reforma antecipada e com valor milionário de dez mil euros.
Mário da Silva Jesus, Codivel
A desumana rejeição do subsídio de doença
Não posso deixar de manifestar a minha apreensão/indignação pelo facto de o Parlamento, incompreensivelmente, ter rejeitado o subsídio de doença pago a 100% para pessoas atingidas por doenças oncológicas. É uma vergonha. Trata-se de uma questão de dignidade humana e reconhecimento de que o ser humano merece toda a atenção e protecção no que diz respeito ao subsídio de doença quando se encontra numa situação de forte vulnerabilidade, atingido por uma grave enfermidade que o debilita fortemente ao mesmo tempo que lhe causa sofrimento. Qual a razão que leva os deputados de certos partidos a rejeitar o subsídio de doença pago a 100% para pessoas atingidas por cancro? É uma questão economicista? É uma questão de consentida desumanidade que não os afecta ou é uma questão de eutanásia previamente anunciada?
António Cândido Miguéis, Vila Real
Ser ministro é fixe, o resto que se lixe
O primeiro-ministro foi buscar o director da Polícia Judiciária (PJ) para ministro, mas o lugar que Luís Neves bem preenchia e exercia ficou destapado. A manta deste Governo, além de muito pouco capaz, é curta, e continua a não haver um director para a PJ. E será que, se conseguirem “arranjar” alguém capaz, será respeitado pelos pares? Ou será mais um flop, como demasiadas vezes, em tantos sectores, aconteceu e acontece neste Governo?
Augusto Küttner de Magalhães, Porto

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