
Embora os Estados Unidos sejam o país onde se faz mais jogos de guerra em todo o mundo — 92% dos gastos com estes exercícios são feitos lá —, este instrumento começa a popularizar-se, sobretudo em alguns países europeus. “A França, a Alemanha, a Itália, a Polónia e os Bálticos estão muito interessados em jogos de guerra”, aponta McGrady. “Acho que o estão a fazer por considerarem que é uma forma relativamente barata de entender melhor o que precisam de fazer para travar os russos. Ou os Estados Unidos, quem sabe”, acrescenta com uma gargalhada.
Rex Byrne nota que Portugal está longe de ser um país onde os jogos de guerra estão são usados e deixa um conselho: “Não copiem os EUA, porque eles investem muito dinheiro e muitas pessoas. O que têm de fazer é ver como é que outros dos países mais pequenos da NATO podem ajudar a desenvolver estas capacidades.”
Certo é que o que não falta são exemplos de jogos de guerra feitos por outros países que não os norte-americanos. Os ucranianos, por exemplo, terão feito vários jogos de guerra para preparar a sua contra-ofensiva bem sucedida em Kharkiv, em setembro de 2022. E o próprio Irão fez em 2023 um jogo de guerra combinado com exercícios reais que servia nada mais nada menos do que para treinar drones de ataque perto do Estreito de Ormuz. O objetivo, resumiu o comandante responsável, era o de “melhorar a capacidade de resposta contra ameaças estrangeiras e uma possível invasão”.
E o que não têm faltado são jogos de guerra que se debruçam sobre a atuação do Irão no Estreito de Ormuz em caso de um conflito. E não apenas os que foram referidos no início deste artigo, feitos com Ilan Goldberg na Casa Branca.
“Este é um dos jogos de guerra mais conhecidos de sempre. Há jogos, até de entretenimento, em que o Irão bloqueia o Golfo. Sabíamos que, se fosse levado ao limite, o Irão poderia atacar todos países do Golfo e a economia mundial. Isto já foi jogado desde o nível estratégico mais alto da política ao nível mais baixo na tática”, aponta Byrne.
Não faltam exemplos conhecidos. Em 2012, um jogo apontou que o petróleo poderia chegar aos 200 dólares por barril e que, depois de iniciado, seria muito difícil por um ponto final ao conflito. No mesmo ano, um jogo de guerra israelita concluiu taxativamente que o Irão “entendia que a sua carta mais alta consistia em atacar os aliados norte-americanos Golfo e em fechar o Estreito de Ormuz”.
O nível de risco é tão elevado que um jogo de 2024 demonstrou que um confronto militar entre Israel e o Irão poderia atingir o patamar nuclear rapidamente. Outro, em 2025, previu que a Rússia se faria de morta num cenário destes e não auxiliaria o Irão, tentando preservar as suas relações com os sauditas, os emiratis, os israelitas e, é claro, a administração Trump. Já a China, antecipou o mesmo jogo, optaria por fazer exatamente o mesmo.

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