Cartas ao director | Opinião


E Cuba?

O PÚBLICO lembrou-se de Cuba, e de mais uma tragédia que se está a passar diante dos nossos olhos, ao publicar dois excelentes artigos na sua edição de domingo; mas o Governo português continua ausente em parte incerta.

Cuba tem vivido há mais de 60 anos com um garrote à sua economia imposto unilateralmente pelos EUA. Agora, Trump, numa atitude imperial, com total desprezo dos valores mais elementares que o chamado Ocidente finge defender quando lhe convêm, veio afirmar displicentemente: “Quer eu os liberte ou os tome, acho que posso fazer o que quiser com eles.”

Depois do embargo do petróleo venezuelano, o garrote americano estrangulou de forma ainda mais dramática a economia cubana, perante a indiferença e o silêncio dos países europeus, a que Trump chamou cobardes por não quererem participar numa aventura naval, justamente para garantir no estreito de Ormuz o que nega nos mares das Caraíbas.

Mais uma vez, a UE demonstra a sua insignificância, de que a utilização da base das Lajes para permitir a incursão americana contra o Irão é boa prova; agora, a chegada de mais um contingente militar americano a uma base militar portuguesa, pela qual os americanos não nos pagam sequer qualquer aluguer, continua a merecer o silêncio do nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, que já aprovara a sua utilização, apenas para operações de defesa, horas depois do ataque americano.

Esta atitude de bicho da conta que, perante qualquer ameaça, se enrola sobre si mesmo e se finge de morto, é mais um incentivo a alimentar a arrogância americana; sim, somos cúmplices do ataque ao Irão, e hipotecamos os nossos valores, deixando Cuba entregue à sua sorte.

José Cavalheiro, Matosinhos

Ainda o Tribunal Constitucional

A nomeação dos três juízes que faltam para o Tribunal Constitucional (TC) voltou a ficar num impasse. Isto porque o Governo manifestou a intenção de preencher esses lugares com dois juízes indicados pelo PSD e um pelo Chega. Tal desiderato desagradou ao PS e à esquerda em geral e causou perplexidade nos meios sociais mais sensíveis a uma estabilidade do regime democrático-constitucional.

O PS é um dos partidos fundadores e mais relevantes na construção e consolidação desse regime, que o Chega declaradamente quer subverter. Como tal, teve sempre, desde o 25 de Abril, um papel fundamental na indicação dos juízes, primeiro para a Comissão Constitucional e depois para o TC. Arredá-lo de um tal papel corresponde ao não reconhecimento insultuoso do protagonismo que o partido teve no nascimento e consolidação do regime democrático e ao desprezo da história do país dos últimos 50 anos.

Na realidade, o que o Governo quer é inflectir à direita a linha de equilíbrio que o TC tem seguido, de forma a assegurar o respaldo jurisprudencial de que precisa para a sua política de marcha-atrás. Aliás, Montenegro convive mal com a comunicação social e com as decisões do TC, que o têm desfavorecido, quer a nível da governação, quer a nível individual.

António Costa, Porto

Ó, senhor primeiro-ministro!

Só duas palavras: para quê um Tribunal Constitucional (TC) se a sua totalidade ou, admitamos, a maioria dos membros deste organismo é da cor do seu Governo? Então para quê mandar para o TC leis que causam polémica se estão, a priori, aprovadas? Dir-me-á que não, que não, que os juízes são sempre, mas sempre, irrepreensíveis! Então deixe lá o PS nomear um ou alguns deles, não é? O princípio da proporcionalidade não se deverá aplicar à jurisprudência, não lhe parece?

Raúl Mesquita, Lisboa

Gratidão

Escrevo principalmente para expressar a minha gratidão (também uma forma de amor) à jornalista Bárbara Reis pelo seu magnífico artigo “O amor e a política”, com um seu primeiríssimo esboço para uma possível História do Amor. Obrigado, Bárbara, por nos dares o bendito perfume do(s) amor(es) logo pela manhã. E nos lembrares de todas as suas potencialidades e possibilidades, mesmo em áreas aparentemente (?) menos prováveis, como na vida política e institucional. É que, e correndo o risco de repetir o chavão mais ouvido ultimamente, andamos mesmo a precisar de muitas lufadas de ar amorosamente fresco, nestes dias que tardam a passar.

P.S.: Na História era de incluir visualmente também o Snoopy, o personagem dos Peanuts, deitado sonhadoramente no telhado da sua casota, a pensar (em francês no original): “L’amour, toujours l’amour.”

Pedro R. Teixeira, Lisboa



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