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A empresa portuguesa Spotlite, em parceria com duas entidades brasileiras, a SISCON e a Única, venceu uma licitação no valor de 8 milhões de euros para monitorar e sinalizar mais de 5300 pontes no Brasil, um dos maiores projetos desta natureza a nível mundial, segundo a companhia. O contrato foi fechado com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que tem se movimentado para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na infraestrutura brasileira.
Com planos ambiciosos no Brasil, a Spotlite, por sinal, está em fase avançada para a implantação de uma unidade operacional no país, a Spotlite Brasil, que se encarregará de todos os negócios do outro lado do Atlântico. “A solução que criamos permite que todos os gestores de infraestruturas críticas possam monitorar, em tempo real, alterações milimétricas das mesmas”, diz Ricardo Cabral, CEO e fundador da empresa em parceria com Martino Correia.
Pelo contrato, firmado com o Consórcio Infragestão, que reúne a Spotlite, a SISCON e a Única, mais de 100 engenheiros do DNIT terão acesso a dados em tempo real sobre o estado das 5300 pontes, permitindo que possam tomar decisões críticas e programar as devidas intervenções em situações normais ou em caso de condições climáticas adversas.
O empresário conta que, desde a sua fundação, em 2021, a Spotlite tem apoiado entidades públicas e privadas no controle de infraestruturas críticas, com base em dados de satélites e uso de inteligência artificial, o que pode ser constatado durante as recentes tempestades que provocaram expressivos danos em várias regiões de Portugal.
Arquivo pessoal
Segundo Ricardo Cabral, a empresa nasceu da convicção de que os dados de satélite, combinados com inteligência artificial, podiam transformar a forma como se gere e monitora infraestrutura crítica, substituindo inspeções físicas caras e pouco frequentes por monitoramento contínuo e automatizado.
América Latina e EUA
De acordo com a Spotlite, ainda não está definido quantas pessoas serão recrutadas para as operações no Brasil — em Portugal, atualmente, são cerca de 30 colaboradores nas áreas de engenharia de software, ciência de dados e observação da Terra. Diz a empresa ao PÚBLICO Brasil: “O modelo de operação da Spotlite é majoritariamente remoto, através de uma plataforma que processa e entrega informação em tempo real. Para a fase de arranque e integração com as equipes do DNIT, estamos destacando técnicos”.
Nascida em Coimbra e com escritório em Lisboa, a Spotlite, uma empresa de spacetech, recebeu aporte de 3,3 milhões de euros em dezembro de 2025, numa transação liderada pela Indico Capital Partners e pela Explorer Investments, com a participação da Portugal Ventures e a EDP Ventures. Com esses recursos, a empresa pretende ampliar sua presença na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul.
“Apesar de já colaborarmos regularmente com diversas entidades em Portugal, na Europa e na América Latina, o serviço torna-se ainda mais relevante diante das frequentes ocorrências climáticas que têm impactado tanto a Europa quanto o Brasil”, assinala Ricardo Cabral.
As perspectivas para a companhia são positivas, conforme ressalta, devido à crescente procura por soluções de “observação da Terra como serviço”. Estima-se que esse mercado deverá movimentar cerca de 20,1 bilhões (mil milhões) de euros até 2033.
A empresa ressalta que sua tecnologia permite antecipar riscos como movimentos de terreno, vegetação indesejada, deformações estruturais e riscos de incêndio, reduzindo a necessidade de inspeções físicas e sensores no local e otimizando custos de manutenção através de manutenção preditiva e auditorias remotas.

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