“Há uma ideia tão mitificada da natureza que ganha um estatuto de quase religião” | Entrevista


José António Bandeirinha está sentado de frente para o Castelo de São Jorge, num dos sítios que Bernardo Soares aclamou no Livro do Desassossego. Olha. Esse gesto faz parte de uma espécie de manual de boas práticas para quem ama a cidade. Não uma, mas a ideia de cidade. Olhá-la. Bernardo Soares levou essa contemplação para o trecho 50 do seu famoso livro. “… amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestade irregular da cidade tranquila, sob o luar, vista da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.”

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