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O que era para ser um momento de celebração, com Minas Gerais mostrando todos os seus encantos na BTL, a Feira de Turismo de Lisboa, foi tomado pela comoção pelas tragédias provocadas pelas chuvas em parte do estado. Antes de qualquer apresentação institucional, foi observado um minuto de silêncio em memória das vítimas das tempestades, que já provocaram, até ao momento, mais de 70 mortes. O gesto abriu o encontro Destino Minas Gerais em Portugal e deu o tom de sobriedade a uma iniciativa que combinou promoção turística com solidariedade.
Ao tomar a palavra, a subsecretária de Turismo de Minas Gerais, Patrícia Moreira, destacou que, embora o evento representasse um momento de alegria por promover o estado no exterior, era também um momento de profunda reflexão. Ela lembrou que Minas atravessa uma situação difícil em razão das enchentes e afirmou que o governo estadual está mobilizado para atender as famílias que perderam casas e bens.
Em sua fala inicial, Patrícia agradeceu ainda o apoio do governo federal às vítimas. “Aproveito esse momento para agradecer ao governo federal, porque nós sabemos que o presidente (Lula) também está apoiando as vítimas do Estado de Minas Gerais. É um momento muito triste, e assim nos sentimos mais solidários, mais próximos ao povo português, que também passou por momentos difíceis há algumas semanas”, afirmou.
Uma das grandes novidades apresentadas no evento foi o enoturismo mineiro, apontado como uma nova ponte cultural entre Minas Gerais e Portugal. O vinho surge como complemento natural à gastronomia, à arquitetura histórica e às rotas patrimoniais que já aproximam os dois territórios.
“A proposta passa por mostrar Minas Gerais não apenas como território de cidades históricas e cozinha reconhecida, mas, também, como uma região vinícola emergente, com mais de 130 adegas distribuídas por nove regiões”, explicou Patrícia.
Divulgação Embratur
Motivações de viagens
Segundo a subsecretária, o enoturismo nasceu de um projeto recente do governo estadual para valorizar produtores locais e criar novas motivações de viagem. Hoje, o visitante encontra experiências completas, que incluem provas comentadas, almoços harmonizados, alojamento em vinícolas e eventos ao pôr do sol, sempre marcados pela hospitalidade mineira.
A ambição é oferecer uma vivência autêntica, em que o vinho dialoga naturalmente com os queijos artesanais e a gastronomia contemporânea do estado.
A produção de vinhos em Minas Gerais, explicou Moreira, tem raízes na influência europeia e ganha agora nova expressão com inovação tecnológica e com a técnica da dupla poda, responsável por vinhos de inverno que já conquistaram prêmios internacionais. Regiões como o Sul de Minas, a Serra da Canastra e áreas próximas às cidades históricas concentram roteiros que combinam visitas a vinhedos, degustações guiadas e contato direto com produtores.
A ligação cultural com Portugal esteve presente em vários momentos da apresentação. O encontro entre vinho e queijo, tão característico da cultura portuguesa, encontra eco nas harmonizações mineiras, especialmente com o queijo artesanal da Canastra. A herança arquitetônica comum, visível em cidades barrocas como Ouro Preto e Tiradentes, reforça a sensação de familiaridade para o visitante europeu.
Presidente da Embratur, Marcelo Freixo contextualizou o momento positivo vivido pelo turismo brasileiro e defendeu que o país tem transformado cultura e acolhimento em elementos centrais da experiência turística. Para ele, mais do que visitar lugares, quem viaja procura sentir o destino, algo que torna Minas Gerais particularmente atrativa.
Ligação Lisboa e Belo Horizonte
A proximidade entre Minas Gerais e Portugal é reforçada pela ligação aérea direta entre Lisboa e Belo Horizonte, operada há 18 anos pela TAP. “Estamos celebrando 18 anos de ligação entre Lisboa e Minas Gerais, através do nosso voo direto. Transportamos cerca de 180 mil passageiros por ano nesta rota, e os portugueses representam 4% desse total. Há um grande potencial de crescimento”, afirmou o diretor para as Américas da companhia, Carlos Antunes.
O executivo destacou que encontros como o realizado na BTL são fundamentais para divulgar a diversidade do destino. “Minas Gerais não tem mar, mas tem praias de rio, cultura, arte, gastronomia, turismo de negócios, experiências e turismo de aventura. Tem tudo para ser um grande sucesso também no mercado português”, disse.
O investimento internacional no estado foi ilustrado pela presença do Grupo Vila Galé, que apresentou o hotel instalado em Ouro Preto, resultado da recuperação de um edifício histórico e integrado às rotas culturais da região. Para o diretor de Vendas e Marketing do grupo, Pedro Ribeiro, o projeto simboliza a convergência entre patrimônio, hospitalidade e novas experiências, incluindo iniciativas futuras ligadas ao vinho.
No final, a mensagem que Minas Gerais procurou transmitir ao público português foi a de um destino que convida a ser descoberto sem pressa, à mesa e entre vinhedos. Um estado marcado pela diversidade cultural, pela força da gastronomia e pela hospitalidade, que, mesmo em meio à dor provocada pelas tragédias recentes, reafirma o turismo como instrumento de encontro, reconstrução e aproximação entre povos.

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