Um triunfo arrancado a ferros e um resultado melhor do que a exibição. Foi isto que o Benfica conseguiu nesta segunda-feira, em Barcelos, no encerramento da 24.ª jornada da Liga (1-2). Diante de um Gil Vicente muito organizado e descomplexado com bola, o jogo esteve em aberto até ao fim, tendo os “encarnados” tirado melhor proveito das substituições para reporem os sete pontos que os separam do FC Porto, antes da recepção ao líder da prova, no domingo.
O Gil Vicente não desbaratou a oportunidade de mostrar a personalidade e a iniciativa que lhe garantem o actual quinto lugar no campeonato. Com três alterações face ao jogo com o Estoril (Agustín, Cáseres e Hector Hernández foram titulares), procurou sempre condicionar a saída de bola do adversário, dispondo-se em 4x3x3 e impedindo a entrada nos dois médios e nos laterais. Resultado? O Benfica não conseguiu ligar o jogo nos primeiros 20 minutos e foi forçado a bater a bola na frente.
Foi um período demasiado errático dos “encarnados”, de resto. Por mérito do Gil, mas também por demérito próprio, com Schjelderup, Barreiro e Dedic a acumularem muitos erros técnicos a impedirem que a equipa pudesse pensar com clareza, em posse. Valeram, nessa altura, duas arrancadas pela direita (de Pavlidis e de Prestianni), já depois de os minhotos terem ameaçado por Agustín e Luís Esteves.
A primeira finalização do Benfica surgiu aos 18’, por Rafa (para defesa de Lucão), a segunda ameaça aos 33’, numa combinação pela esquerda, e a terceira no lance que deu origem ao canto que resultou no golo inaugural. Prestianni cruzou, Schjelderup cabeceou para ganhar um canto e António Silva, também de cabeça, inaugurou o marcador — a acção de Pavlidis contribuiu para retardar a reacção do guarda-redes.
Em vantagem, o Benfica serenou e ameaçou o segundo golo dois minutos depois, quando Pavlidis desviou com o tronco, para a trave, um cruzamento de Dahl. E chegou ao intervalo com algum conforto.
Conforto, esse, que desapareceu logo no reatamento, porque o Gil tomou conta do jogo e instalou-se no meio-campo ofensivo, explorando cirurgicamente a largura. A letargia dos “encarnados” ficou ainda mais exposta aos 51’, quando se deixaram surpreender por um lançamento lateral expedito e por um desvio em câmara lenta de Héctor Hernández.
O jogo estava empatado novamente e o Benfica não conseguia ter bola, porque César Peixoto preparou bem a saída de pressão e os “encarnados” deixavam um fosso enorme no corredor central depois de serem atraídos às laterais.
Começou, então, a dança nos bancos. José Mourinho (que já tinha sido forçado a trocar Aursnes por Enzo) lançou então Richard Ríos e Lukebakio, mas seria Rafa a criar o lance do 1-2, variando o centro do jogo e tentando depois finalizar após cruzamento da direita. Não acertou em cheio na bola, mas acabou por fazer uma assistência involuntária para o remate de Schjelderup (73’).
César Peixoto, que tinha lançado Joelson e Carlos Eduardo, procurou apostar em diagonais interiores e, sem grande surpresa, acabou por ser o Gil a acumular mais um par de ameaças, incluindo um remate de Konan sacudido por Trubin. Não foi uma defesa vistosa, mas garantiu que o clássico de domingo será disputado com sete pontos de diferença entre primeiro e terceiro da Liga.

Deixe uma Resposta