A primeira condição é a condição de que seja uma resposta e, portanto, uma retaliação, uma defesa — é uma lógica defensiva. Curiosamente, o primeiro-ministro britânico disse isso ontem no Parlamento. Em segundo lugar, que ela seja necessária, isto é, que obedeça ao princípio da necessidade e da proporcionalidade. E, em terceiro lugar, que apenas vise alvos de natureza militar. Portanto, é uma condicionalidade importante, relevante, em linha com o Direito Internacional. Ou seja, no sentido de que estes são critérios do Direito Internacional que nós resolvemos pôr nesta condicionalidade. Foi nestes termos que se fez uso do número 4, do Artigo 1º do Acordo Técnico. Por isso é que eu queria chamar a atenção, isto só tinha de ser feito quando nós fôssemos notificados de que haveria uma operação, uma intervenção militar. Aliás, eu chamo a atenção porque alguém disse “Ah, porque a Espanha foi muito clara”; a Espanha anunciou a sua posição justamente no mesmo dia em que nós anunciamos. Foi segunda-feira, ontem. Sinceramente. A Espanha deixou decorrer sábado, domingo e segunda-feira até tomar uma posição quanto a esta questão. Isto é só para dizer que, às vezes, se diz “Bom, Portugal veio muito tarde.” Não. Curiosamente, o primeiro-ministro britânico, a propósito disto, também falou na segunda-feira.
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É que às vezes fala-se com uma, digamos assim, precipitação…Eu compreendo que a atualidade existe, tenha que ter resposta a toda hora. Mas isto é política externa. Isto é o interesse permanente de Portugal. Não depende agora de haver uma administração americana ou haver este Governo. E, portanto, estamos a falar de algo em relação com os Estados Unidos, que é, sinceramente, estrutural. Eu digo sempre, a nossa defesa atlântica está claramente inscrita na nossa política externa desde o século XIV. Do meu ponto de vista, até está antes, mas, enfim, desde o século XIV. Antes mesmo de haver, obviamente, políticas fundamentais, como a nossa política da CPLP , como a nossa política da União Europeia, mas muito antes disso. É algo que nós temos de ter em atenção. E também, quando olhamos para este conflito, nós não podemos deixar de ter em atenção que o Irão nunca cumpriu o Direito Internacional. Que o Irão está a desenvolver um programa nuclear. Que ainda mostrou, na resposta a este conflito, que, em vez de responder àqueles que ele considera os seus inimigos neste conflito, porque fizeram um ataque — Israel e os Estados Unidos —, na verdade, reagiu contra o Qatar — que até foi um Estado que teve sempre relações mais ou menos funcionais com o Irão —, Omã, que era um mediador… Agora até atacou uma instalação diplomática na Arábia Saudita, os Emirados, o Bahrain, o Kuwait, a Jordânia, Chipre. Isto significa que, se esta potência tivesse nas suas mãos a capacidade nuclear, não hesitaria em desrespeitar qualquer regra. É preciso também compreendermos isto.

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