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Passos Coelho, um messias com a visão de um mecânico | Opinião


Pedro Passos Coelho despiu finalmente o lençol branco dos fantasmas e envergou o manto carmim do profeta que há-de desbravar um caminho radioso para a direita e para Portugal. Se, no final do século XVI, as trovas proféticas de Gonçalo Anes Bandarra anunciavam o regresso de D. Sebastião e vislumbravam o Quinto Império ao virar da esquina, as teses de Pedro Passos Coelho anunciam o seu regresso num dia de nevoeiro para criar uma frente de direita ungida pela fé para salvar o país da atrofia e do marasmo. Um belíssimo programa nos propósitos, um péssimo caminho para os atingir. Meter o Chega em qualquer programa reformista é como meter Lenine no meio da Revolução de Outubro: tarde ou cedo, o escorpião mostrará a sua natureza e tornará claro que as reformas liberais que Passos emula não constam na genética política da direita radical.

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