
O antigo ministro da Economia António Costa Silva defende, em entrevista à Lusa, que o Governo deve mapear as indústrias muito intensivas no consumo energético e delinear desde já um pacote específico para mitigar impactos. Preocupado com o modelo de crescimento em Portugal, enfatiza que o país é alvo de dois fatores: as intempéries que assolaram o país e agora o conflito do Irão, que tive início a 28 de fevereiro.
“A economia portuguesa, para já, tem estado com um crescimento abaixo das expectativas, no ano passado crescemos 1,9%, abaixo da própria expectativa que o Governo tinha, e o que me está a preocupar é que em 2022 as exportações no país atingiram 50% do PIB, foi um recorde” e no ano seguinte mantiveram-se “à volta dos 48%, 49%”, aponta.
Nestes últimos dois anos, “as exportações em termos do PIB [produto interno bruto] estão a descer, e no ano passado estiveram um pouco acima dos 43%”, pelo que “estou muito preocupado, porque o nosso modelo de crescimento estava já a orientar-se para um crescimento baseado nas exportações, baseado mais na inovação e menos no consumo interno”, admite.
Agora “temos uma reversão”, com o crescimento nestes dois últimos anos a ser “alimentado sobretudo pelo consumo interno e isso não é sustentável, isso pode piorar ainda mais este ano com esta situação que se está a verificar no país, que é a combinação de dois choques”.
O choque interno respeita às tempestades e inundações que atingiram “severamente” toda a indústria da fabricação “de componentes para o setor automóvel, dos moldes, da cerâmica, do vidro”, aquele eixo que vai “da Marinha Grande até Aveiro está fortemente fustigado”, sublinha o antigo ministro do executivo de António Costa (PS).
Hoje, prossegue, “o preço do petróleo está a cerca de 25% acima daquilo que está no Orçamento de Estado de 2026, isto vai ter impacto na receita fiscal, vai ter impacto na capacidade de despesa, no poder de compra, no consumo, no investimento, nas exportações”, adverte.
Portugal já tem “a tendência da redução do investimento, como se verificou no ano passado (…), tivemos uma queda nas exportações, vai acelerar essas tendências”, enquadra.
“Eu recomendava ao Governo que seguisse e visse de perto aquilo que o Governo a que pertenci, XXIII Governo Constitucional, fez na crise da Ucrânia”. “Temos que atuar rapidamente e responder e ajudar, sobretudo, as empresas”, remata.

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