Mafalda Guerra, vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa já não está no cargo, depois da reportagem do programa “A Prova dos Factos”, da RTP, ter revelado na sexta-feira que a funcionária — e militante do Chega, que fez parte das listas do partido nas últimas autárquicas — era dona de vários imóveis em situação ilegal e onde habitavam imigrantes em condições precárias.
Além disso, a investigação da RTP demonstrou ainda que Mafalda Guerra, que se apresentava em redes sociais e em vários serviços como Mafalda Livermore, era alvo de duas investigações pelo Ministério Público e queixas na Ordem dos Advogados. Isto porque, apesar de afirmar ter experiência na área do Direito e da Criminologia, e de prestar serviços a vítimas de violência doméstica, Mafalda Livermore não estaria qualificada para praticar atividades como jurista, sendo assim suspeita de usurpação de funções e alvo de queixas por vários lesados.
Mafalda Livermore já não ocupa o cargo para o qual foi nomeada em dezembro de 2025 e, segundo contou este sábado André Ventura, presidente do Chega, foi a militante a sair pelo próprio pé e a apresentar o pedido de exoneração ao vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis, após a exibição da reportagem, na sexta-feira à noite.
Contactado pela RTP, o executivo da Câmara Municipal de Lisboa falou numa “quebra de confiança institucional” e Carlos Moedas apontou que “nessas situações” é “rápido a reagir”.
A nomeação de Mafalda Guerra Livermore já tinha ficado envolvida numa pequena polémica. A revista “Sábado” noticiou em janeiro que o relacionamento amoroso entre a influencer/funcionária e o vereador do Chega Bruno Mascarenhas não só estaria na base da sua escolha para a Câmara Municipal, como também terá sido um dos motivos para o desentendimento entre Mascarenhas e Ana Simões Silva, vereadora do Chega que acabou por passar a independente e a fazer parte do executivo de Moedas.
Nas últimas autárquicas, Mafalda Guerra foi candidata suplente à Assembleia de Freguesia de Alcântara pelo Chega, onde o partido ficou em terceiro lugar e elegeu um membro para a assembleia.
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