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Cartas ao director | Opinião


A cedência (ou não cedência) das bases militares

A não cedência das bases espanholas de Máron e Rota aos Estados Unidos não foi um acção neutra, pois, em certa medida, prejudicou a capacidade operativa dos EUA no Mediterrâneo e Pedro Sánchez, tenha consciência (ou não) da sua atitude, enviou um sinal político que acabou por favorecer o Irão. Portugal, nesse aspecto, cumpriu os seus deveres de aliado dos Estados Unidos – o PS tentou capitalizar dividendos ao exigir explicações ao ministro dos Negócios Estrangeiros. Pura hipocrisia, pois se o PS estivesse no poder procederia de igual modo, permitindo aos americanos usarem a Base das Lajes. Por consequência, Paulo Rangel e o Governo português estiveram à altura dos acontecimentos, permitindo o uso da base. Sejamos realistas e não contemporizemos com o terrorismo. O Irão é um grave problema para a luta antiterrorista, visto que presta ajuda ao Hamas, ao Hezbollah, às milícias xiitas no Iraque, aos houthis no Iémen e ainda, em menor grau, aos taliban do Afeganistão. Os EUA e a Europa devem permanecer unidos e não devem ter contemplações quando se trata de combater o terrorismo. Custa perceber isto?

António Cândido Miguéis, Vila Real

Dois meses de Montenegro contra Passos

Neste país de comentadores televisivos, adivinha-se a alegria que a classe teve quando Montenegro anunciou a antecipação para Maio das eleições no PSD. É a repetição da decisão de Seguro, quando convocou eleições abertas no PS após António Costa criticar a sua liderança e os seus resultados nas europeias (que Seguro ganhara por “poucochinho”, segundo Costa). Até Maio, vamos ter dois meses de comentários diários na televisão sobre o combate que Montenegro decidiu abrir.

Será que Passos se apresentará à eleição? A antecipação da data é uma manobra manhosa de Montenegro para impedir o crescimento da onda passista? Se não se apresentar, Passos arreda-se de vez da política? Ventura irá incentivar Passos a concorrer? Se for candidato único, a vitória de Montenegro será pírrica?

Ao tomar esta decisão, Montenegro transferiu o protagonismo político para Passos, tal como Seguro o passou para Costa em 2014, com uma importante diferença: Seguro aceitou o pedido de Costa de que a eleição fosse, pela primeira e única vez, aberta a simpatizantes do partido. Nunca mais tal se repetiu numa eleição partidária e, tudo indica, que isso não irá acontecer agora. Montenegro confia que mantém o domínio do aparelho do PSD, mas há sinais recentes em concelhias do Norte de que poderá não ser bem assim.

O foco mediático estará a partir de hoje em Passos Coelho, a não ser que ele declare nos próximos dias que não será candidato. É improvável que isso aconteça, porque um político tem sempre dificuldade em recusar atenção mediática, nomeadamente quando esta lhe é entregue de modo tão favorável pelo adversário que ele tanto vem criticando nas últimas semanas. Será Montenegro o novo Seguro?

Artur Águas, Porto

Aprender com os erros

Uma ponte caiu, muitos cidadãos morreram e a culpa não pode morrer solteira; um choque ferroviário ocorreu em Alfarelos com a morte de trabalhadores e ouvimos que ia ser instaurado um inquérito; os cabos de um ascensor partiram-se e mais de uma dezena de pessoas morreram, e é preciso apurar responsabilidades que dão origem a várias teses e demissões, e perdemos tempo a apontar culpas, quando deveríamos aprender com os erros.

Passaram vinte e cinco anos sobre um acontecimento perturbador cuja notícia chocou o país, e que nos deveria ter ensinado a acautelar ocorrências de situações que podem deixar marcas traumáticas. É frequente ouvirmos em discursos eloquentes os nossos políticos falarem que é preciso mudar Portugal, mas na verdade ficamos sem saber de que forma é que os mesmos pretendem que essa mudança se concretize quando os hábitos portugueses, enraizados há muitos anos, dificultam a adaptação dos cidadãos às mudanças necessárias.

Américo Lourenço, Sines

Partiu

Partiu para sempre António Lobo Antunes, o “nosso Nobel da Literatura sobre a Guerra Colonial”. Não desertou como uns tantos, que se regozijaram por tal feito, cantando loas e até enaltecidos. Os camaradas, que permaneceram nas fileiras das Forças Armadas Portuguesas, fizeram-no por dever superiormente imposto, sendo muitos deles emboscados, feridos e mortos por minas e diversa metralha fabricada no Leste europeu. De várias obras importantes por si escritas, ressaltam: Cartas de Guerra, Adeus, até ao Meu Regresso, Soldados do Império e Os Cus de Judas.

José Amaral, Vila Nova de Gaia



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