O incêndio que deflagrou na madrugada deste domingo num empreendimento turístico na estrada que liga a vila da Comporta a Tróia está dominado desde as 14h35. “Os meios de combate continuam no local para a fase de conclusão e a fase de rescaldo”, disse ao PÚBLICO fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Protecção Civil do Alentejo Litoral. O incêndio não provocou vítimas.
O empreendimento Na Praia, que deveria abrir a 1 de Junho, é propriedade de Sandra Ortega, herdeira do fundador da Zara e do Grupo Inditex. Está localizado no concelho de Grândola. E esteve no centro de uma batalha judicial que atrasou a obra.
Como o PÚBLICO noticiou na altura, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja deu ordem para parar as obras em Fevereiro de 2023, depois de uma providência cautelar interposta por uma plataforma constituída por várias organizações — Associação Dunas Livres, Quercus, Zero, LPN, GEOTA, Speco, SPEA, Ocean Alive, Sciaena e Associação Íris.
A plataforma invocava os “impactos muito significativos sobre os sistemas ecológicos, além de riscos costeiros, pressão sobre recursos hídricos, solos, ar, paisagem” que teria o projecto numa zona ecologicamente sensível e já submetida a forte pressão imobiliária para fins turísticos.
A providência cautelar foi entretanto indeferida pelo tribunal, depois de a Câmara Municipal de Grândola declarar o interesse público do empreendimento Na Praia para o município.
Origem do fogo desconhecida
O alerta para o fogo desta noite foi dado pelas 4h40, noticiaram os jornais Observador e Correio da Manhã e confirmou ao PÚBLICO o Comando Sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Alentejo Litoral.
“Não é possível para já dar informações sobre a dimensão dos estragos”, acrescentou a mesma fonte, que adiantou que no local estiveram, e ainda estavam ao início da tarde, 90 operacionais e 35 viaturas. “Vieram de muitas corporações. Estão cá bombeiros da Península de Setúbal, do Alentejo Central, Baixo Alentejo e do nosso comando do Alentejo Litoral”, acrescentou.
A Polícia Judiciária (PJ) vai investigar a origem do incêndio. Contactada pela agência Lusa, fonte da PJ indicou que foi chamada ao local para fazer uma avaliação do cenário do incêndio, que consumiu parte central do hotel daquele empreendimento turístico.
Elementos do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Setúbal “estiveram no local, esta manhã, a realizar perícias para tentar perceber a origem do incêndio”, afirmou a mesma fonte.
O incêndio afectou “alguns quartos” situados na parte central do hotel que se encontrava “na fase final de acabamentos”, divulgou o promotor do projecto Na Praia num comunicado enviado à Lusa. Segundo José António Uva “apenas um edifício do hotel ficou parcialmente afectado”, numa extensão de 50 metros.
“O restante empreendimento, como as unidades de alojamento individuais, zonas públicas, o restaurante e a zona de serviços não sofreram quaisquer danos”, acrescentou. A data de abertura do espaço, prevista para 1 de Junho, vai ser adiada. com Lusa

Deixe uma Resposta