
“Onde estão as vagas? O que peço é uma questão de equidade e justiça. Não é suficiente abrir cinco vagas para centenas de professores. Para o ano vai acontecer o mesmo, é um círculo vicioso. Ficamos novamente à espera?”, questiona.
Também Luís (nome fictício) faz a mesma pergunta. É da região Norte e terminou a licenciatura em História, na Universidade do Minho, há um ano. À época tinha um objetivo claro em mente: seguir para mestrado. Mas a falta de vagas trocou-lhe as voltas.
“Sempre quis História e a Universidade do Minho foi sempre a primeira opção, tanto para licenciatura como mestrado. Empenhei-me na licenciatura e acabei com média de 14.7 valores. E no ano passado, em julho, candidatei-me ao mestrado em Ensino. Sabia que era difícil, mas não imaginava que fosse assim. Pensei que seria difícil pela média, mas não por haver tanta gente a querer entrar. Meti tudo o que podia no currículo e fiquei em 13.º na lista de pessoas excluídas”, relata.
No ano letivo em que Luís se candidatou, 2025/2026, a Universidade do Minho abriu 23 vagas para o mestrado em Ensino de História, mas houve 91 candidatos — e Luís foi um deles. Face ao ano letivo anterior, o interesse por este mestrado no Minho aumentou 28,17%, mas o número de vagas manteve-se igual.
“Houve muita gente da minha licenciatura que não conseguiu entrar, só uns 7 ou 8 conseguiram, e éramos cerca de 40. As pessoas que entraram era gente já com experiência a dar aulas ou pessoas com pós-graduações e mestrados. Isso exclui quase automaticamente quem vem da licenciatura.”
A realidade nas restantes quatro universidades que responderam ao Observador não é muito animadora, comparativamente à da Universidade do Minho. Apenas uma instituição, a Universidade de Lisboa, aumentou o número de vagas (de 20 para 30). Porém, o número de candidatos aumentou significativamente em todas as universidades: 70,83% na Universidade de Aveiro; 61,29% no Politécnico de Coimbra; 39,24% na Universidade de Lisboa; e 13,27% na Universidade do Porto.

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