Converta aqui: →
Cinco jogadoras iranianas querem asilo, só não querem voltar ao Irão | Futebol internacional


Cinco futebolistas iranianas estão sob protecção australiana, procurando evitar o regresso ao Irão. A notícia foi avançada pela BBC, que fala de asilo num abrigo, sendo que o The Guardian garante mesmo que a polícia australiana ajudou estas jogadoras a escaparem ao controlo da comitiva iraniana. “A polícia levou-as para um local seguro. É óptimo, é incrível”, disse Hadi Karimi, activista de direitos humanos de Brisbane citada pelo jornal britânico.

Reza Pahlavi, herdeiro exilado da monarquia iraniana, que pretende ser líder numa transição política, confirmou a notícia nas redes sociais e avançou os nomes das jogadoras: Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zahra Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi.

A selecção feminina de futebol do Irão tem estado na berlinda depois de as jogadoras terem recusado cantar o hino nacional antes do primeiro jogo na Taça da Ásia, disputada na Austrália. No Irão, alguma imprensa local falou do “cúmulo da desonra”, de traição e apelou a punições severas às jogadoras que já cantaram o hino no segundo e terceiro jogos na competição — tem-se falado de coacção.

Apesar de a Austrália não ter avançado nenhuma reacção oficial ao caso, os Estados Unidos já se chegaram à frente. Donald Trump dirigiu-se directamente a Anthony Albanese, primeiro-ministro australiano, dizendo que os EUA irão acolher as jogadoras caso a Austrália não lhes dê asilo.

“A Austrália está a cometer um terrível erro humanitário ao permitir que a selecção nacional feminina de futebol do Irão seja forçada a regressar ao país, onde provavelmente serão mortas”, escreveu Trump na Truth Social. “Não faça isso, senhor primeiro-ministro. Conceda-lhes asilo. Os EUA vão recebê-las se o senhor não o fizer.”

Tensão no hotel

A segurança da comitiva iraniana tem impedido as jogadoras de terem qualquer contacto com o exterior — seja com adeptos, com a imprensa ou mesmo com a família. A FIFPro, responsável pelas associações de futebolistas profissionais, revelou que perdeu o contacto directo com o grupo e as informações são escassas.

Pouco se sabe sobre as restantes futebolistas, que provavelmente terão de regressar ao Irão, e, segundo a BBC, foram vistas movimentações de pânico e correria no hotel, apesar de não se saber ao certo quando farão o check-out ou quando terão voo. Ou se já tiveram.

Estas informações surgem poucas horas depois da escalada da tensão em torno da selecção iraniana, que encarou protestos depois do último jogo na Taça da Ásia.

Um grupo de manifestantes tentou impedir a passagem do autocarro, gritando “salvem as nossas meninas”. Outras tarjas diziam “fiquem seguros na Austrália. Falem com a polícia” e “se a vossa casa não é segura, a nossa é”. Alguns manifestantes tentaram mesmo impedir a passagem do autocarro no regresso ao hotel e alguns relatos garantem que uma jogadora fez um sinal de pedido de ajuda a partir da janela do autocarro.

Treinadora diz querer regressar

Dentro da comitiva há duas regras diferentes: jogadoras em silêncio e remetidas aos quartos, enquanto os dirigentes circulam pelo hotel. Na conferência de imprensa após o jogo de domingo, a treinadora Marziyeh Jafari garantiu entusiasmo por regressar ao Irão: “Estamos ansiosos para regressar. Pessoalmente, gostaria de voltar ao meu país o mais rápido possível e estar com meus compatriotas e a minha família.”

Craig Foster, ex-capitão da selecção australiana e activista no país, descreveu a situação à BBC. “Elas estão mantidas como reféns pela delegação iraniana e foram impedidas de falar com amigos, familiares ou qualquer rede de apoio, sejam advogados ou qualquer outra pessoa”.

“O que sabemos é que a maioria das jogadoras tem família no seu país e, mesmo que lhes seja oferecido o direito de permanecer na Austrália, muitas podem não aceitar essa oportunidade. Mas o mais importante é que essa oferta seja feita”.

Por enquanto, fonte da FIFA disse apenas ao The Guardian que “a segurança e a protecção da selecção feminina do Irão são uma prioridade para a FIFA”. “Por isso, continuamos em contacto próximo com as autoridades australianas competentes”, acrescenta.

A bola está, portanto, do lado de Anthony Albanese, que está pressionado pela opinião pública, associações de activistas locais e internacionais, a FIFPro e até Donald Trump.



Source link

Sobre O Autor

Deixe uma Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress