José Luís Carneiro remeteu Hugo Soares para a UGT e para o líder parlamentar do PS, recusando entrar num confronto directo com o líder parlamentar do PSD. Depois de, na terça-feira, Hugo Soares ter acusado o secretário-geral socialista de “decretar a morte do diálogo social” e desafiado o PS a pedir à UGT que regressasse às negociações sobre o pacote laboral, José Luís Carneiro respondeu que o dirigente social-democrata deve falar directamente com a central sindical. Se quiser falar com o PS, acrescentou, então que se dirija ao presidente da bancada socialista, Eurico Brilhante Dias, e não ao líder do partido.
Carneiro mantém, ainda assim, a porta aberta ao diálogo com o primeiro-ministro. “Eu falo com o primeiro-ministro e o primeiro-ministro fala comigo quando muito bem entender”, declarou. Já quanto às críticas de Hugo Soares, respondeu que, se o líder parlamentar do PSD quer dialogar com a UGT, deve dirigir-se directamente à central sindical e não ao secretário-geral do PS.
Quanto a contactos com os socialistas, desafiou Hugo Soares a falar com presidente do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.
Apesar da troca de críticas, o líder socialista disse esperar que, nos próximos dias, seja possível ultrapassar a “falta de capacidade para dialogar e construir um consenso com a UGT”. “Espero que haja vontade de diálogo e de construção de soluções para servir o país e a nossa economia”, afirmou.
Execução orçamental
Pelo meio, Carneiro voltou a assinalar a sua preocupação com os “60 milhões de euros disponíveis para investir por semana”, desafiando “o Governo, que tanto criticou os governos do PS”, a “explicar aos portugueses se está ou não a executar esse investimento público”.
“Se o Governo não for capaz, isso significa que o país irá perder recursos financeiros e que terá de os devolver à União Europeia”, acrescentou José Luís Carneiro, em declarações transmitidas pela RTP Notícias. “Pese embora todas as propostas que fiz ao primeiro-ministro na defesa da habitação e da saúde, o primeiro-ministro não quis construir as soluções de consenso connosco, mas quis construí-las com o Chega e foi uma opção que tomou”, lamentou.
Ao lado de Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, à margem de uma visita ao Conjunto Habitacional Flor do Infesta, em Matosinhos, o líder socialista sublinhou que existem “muitos autarcas preocupados” porque “tinham obras a concurso e não conseguirão executar essas obras a concurso em tempo previsto e o Governo não responde às necessidades, nomeadamente no plano de investimento em habitação, desviando recursos para o Banco de Fomento e procurando com isso sair do escrutínio do Parlamento”.
Carneiro avisou ainda o grupo parlamentar do PS irá “realizar visitas por todo o país para olhar para as obras que foram inauguradas” e que foram responsabilidade do PS, e “pedir contas ao Governo por não estar a executar recursos europeus como devia”.
“Garantiremos que faremos o escrutínio para o Governo – que tanto criticou o governo do PS – cumpra aquilo com que se comprometeu na execução do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e que simultaneamente quando inaugurar obras que tenham sido responsabilidade do governo do PS não se esqueça de lembrar quem trabalhou para que esses investimentos fossem possíveis”, disse.
Na terça-feira, José Luís Carneiro já tinha alertado para a existência de “hospitais, neste momento, que não têm os contratos de financiamento assinados com o Ministério da Saúde”.
Em relação à falta de acordo com a concertação social a respeito das negociações em torno do pacote laboral, José Luís Carneiro afirmou que “se [o primeiro-ministro] não é capaz de promover entendimentos fundamentais” para o país, então deve explicar-se, afirmando que as “propostas laborais que o Governo apresentou significavam uma opção pela desumanidade”.

Deixe uma Resposta