Há, no futebol mundial, um jogador que dificilmente é igualado. Chama-se Federico Valverde e relembrou-nos disso nesta quarta-feira, no triunfo (3-0) do Real Madrid frente ao Manchester City.
Na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o jogador uruguaio marcou três golos e assinou um dos desempenhos mais memoráveis da história por parte de um médio-ala. Mas não é só isso que nos traz aqui.
Valverde é dos melhores laterais do mundo. É dos melhores médios-centro do mundo. É dos melhores médios-interiores do mundo. Como ala de uma defesa a cinco é também dos melhores do mundo. Como extremo de um 4x4x2 pode ficar a dever algo a nível de drible e um contra um, mas compensa a nível táctico e físico. Nesta quarta-feira, apareceu também como avançado. E com pé direito. E levou o esquerdo também. Federico Valverde é um pouco de tudo e isso, para uma equipa que parecia estar sem nada, não é de se desdenhar.
De braçadeira no braço, o jogador uruguaio actuou como ala-direito num 4x4x2 aparentemente disfuncional. O Real apareceu pela metade: não tinha Bellingham, Mbappé, Rodrygo e Carreras e surgiu com Vinícius a ser o que quisesse ser, Diaz a aparecer como 10 e como avançado e Valverde como ala e também como avançado. No fundo, Arbeloa instruiu os atacantes a mudarem de posição constantemente e, no começo da partida, isso sugeria mais caos do que nexo.
O City recuperava facilmente a bola e, tal como tem sido mais comum, tentava explorar mais verticalidade e acutilância em transições – embora mal definidas. A equipa estava, ainda assim, muito partida. Guardiola desenhou uma espécie de 4x2x4 que ainda tinha O’Reilly como médio-interior em construção.
Facilmente ficava uma equipa em 3×7 e jogar em Madrid com Haaland, Savinho, Semenyo, Doku e Bernardo (que actuou ao lado de Rodri) é pedir problemas no momento da perda. Por motivos diferentes do Real, também o City parecia surgir em Madrid apenas pela metade.
E Valverde, que é o oposto disso, entrou ao serviço. Aos 20’, o City pressionou alto com sete jogadores e Courtois bateu essa pressão com um passe longo. Em teoria, sem especial problema para o City, já que Valverde era o único em zona ofensiva e estava bem encostado ao corredor. Mas O’Reilly abordou mal o lance e o uruguaio, com a potência que lhe é reconhecida, acelerou campo fora, driblou Donnarumma e marcou o 1-0.
Sete minutos depois, Vini atraiu adversários com um contra um para a zona interior e encontrou uma diagonal de Valverde da direita para o meio – novamente O’Reilly a dormir e o uruguaio rematou cruzado de pé esquerdo. Aos 41’, Díaz “picou” uma bola para Valverde explorar vindo de trás. O uruguaio também “picou” por cima de Guehi e finalizou.
Vamos a contas. Valverde marcou o primeiro golo exibindo potência e aceleração. Marcou o segundo com a habitual inteligência na leitura de jogo – e de pé esquerdo. E marcou o terceiro exibindo requinte técnico – e de pé direito. Um pouco de tudo para Valverde e um pouco de tudo para o Real, que voltou a mostrar um par de coisas que já sabemos.
Por muitas ausências que tenham e por muito proeminente que seja o adversário, o Bernabéu é sempre o Bernabéu e o Real é sempre o Real. E Courtois, que salvou a equipa um par de vezes na segunda parte, tratou de dar nexo a tudo isso mantendo um resultado confortável para a viagem a Inglaterra – e só não é mais ainda por Vini não marcou um penálti.
No outro jogo da noite, o PSG esteve a ganhar 1-0 ao Chelsea. Esteve a vencer 2-1. Esteve na frente também por 3-2. Mas o que parecia condenado ao equilíbrio tornou-se um confortável 5-2, sobretudo depois da entrada de Kvaratshkelia. O georgiano entrou para jogar meia hora e assinou dois golos e uma assistência para Vitinha, que já tinha marcado depois de Dembélé, Barcola, Malo Gusto e Enzo Fernández.

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