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Iraque. O novo “campo de batalha” entre os EUA e o Irão – Observador



Essa guerra civil foi uma oportunidade para o Irão aumentar a sua influência no Médio Oriente, mesmo que condenasse publicamente a invasão dos Estados Unidos, seu principal adversário, em 2003. O regime dos aiatolas manteve sempre uma tensa relação com Saddam Hussein, resultante da guerra que opôs os dois países entre 1980 e 1988. Ideologicamente, eram também rivais: de um lado, havia uma autocracia sunita e secular, do outro uma teocracia xiita. Com o líder baathista fora de cena, os iranianos foram expandindo a sua rede de influência, dando apoio a milícias xiitas.

Em 2026, o Governo iraquiano mantém, em termos gerais, boas relações com Teerão. Líderes políticos xiitas chefiam o país, numa lógica formalmente secular em que existe representação parlamentar para outras fações. Porém, o Irão não tem apenas um Executivo aliado em Bagdade: criou e alimentou milícias armadas que funcionam à margem do Estado. Neste momento, são dezenas e estão espalhadas pelo Iraque, muitas delas integrando o “eixo de resistência” iraniano do Médio Oriente.

Num frágil equilíbrio e com assimetrias de poder entre diferentes fações, a estabilidade iraquiana está a ser posta à prova pela guerra no Irão. Entre os xiitas, coexistem posições distintas: muitos líderes religiosos e políticos procuram manter o Iraque à margem do conflito, enquanto outros declararam apoio a Teerão e atacam posições norte-americanas no país. Praticamente marginalizados da cena política, os sunitas não escondem algum entusiasmo quando veem as fundações do Governo no Irão a tremer. E os curdos iraquianos são vistos como em Washington e Telavive como um possível trunfo para iniciar uma revolta no país vizinho.

Curdos. A ambiciosa e arriscada aposta dos EUA e de Israel para derrotarem a República Islâmica e o regime dos ayatollahs

Guerra Fria, final dos anos 50. Numa altura de crescente nacionalismo no mundo árabe e da independência de vários países, o reino iraquiano entrou num período turbulento. A região que pertence ao Iraque integrou o Império Otomano durante séculos; quando colapsou depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a região ficou sob mandato britânico vários anos. A população local resistiu ao domínio do Reino Unido, que em 1932 aceitou a criação de um reino iraquiano formalmente independente, governado por uma monarquia aliada.

O Rei Faisal I, da dinastia haxemita — à qual também pertence a atual família real da Jordânia —, foi o primeiro monarca do Iraque. Não teve uma missão nada fácil. A coroa iraquiana enfrentou inúmeros problemas internos, enquanto os britânicos nunca abandonaram efetivamente a região, o que alimentou ressentimentos entre muitos iraquianos. Foi, aliás, no país que ocorreu o primeiro golpe de Estado militar no mundo árabe, em 1936.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a criação do Estado de Israel contribuiu para aumentar ainda mais as tensões no Médio Oriente, o que afetou diretamente a coroa iraquiana, aliada de Londres. A deslocação de populações palestinianas dos territórios do Estado judaico e a derrota árabe em 1948 reforçaram o nacionalismo e o anti‑imperialismo na região. É neste contexto que o movimento baathista vai ganhando força, exigindo a unificação do mundo árabe sunita sob princípios socialistas.





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