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Diego Carlos habituado a ser o vilão e o herói | Futebol


Já não é surpresa para ninguém o que o Como está a fazer na Série A italiana. Com um bom treinador, Cesc Fàbregas, um bom plantel e muito dinheiro para gastar, a equipa que joga à beira do lago onde as “estrelas” passam férias vai subindo degraus na hierarquia do calcio e também não será surpresa para ninguém se, um dia, virmos este Como a passar à frente das potências tradicionais – desde que os seus donos milionários, dois magnatas indonésios do tabaco, não se aborreçam. Mas como as “estrelas” de cinema também costumam ser vistas nas bancadas do Stadio Sinigaglia, isso não irá acontecer.

Neste domingo, o Como voltou a subir ao quarto lugar, com um triunfo por 2-1 sobre a Roma, em que o herói tardio já tinha sido um vilão madrugador. Diego Carlos, defesa-central brasileiro, fez um penálti aos 6’ e marcou o golo da vitória aos 79’, mantendo a equipa de Fàbregas em lugar de apuramento para a Liga dos Campeões, com 54 pontos, mais um que a Juventus (53) e mais três que a Roma (51) e menos cinco que o Nápoles (59).

Logo a abrir, o experiente central brasileiro cometeu o penálti sobre El Shaarawy convertido em golo por Donyell Malen. O internacional grego Douvikas empatou para o Como aos 59’ e, já em modo ponta-de-lança improvisado, Diego Carlos fez o 2-1 na recarga após uma defesa incompleta de Svilar. Uma redenção em campo para o ex-jogador do Estoril e do FC Porto B. Mas não foi a primeira vez que fez isto, nem foi a mais espectacular.

Vamos recuar seis anos, até à final da Liga Europa em 2020, entre Sevilha e Inter de Milão. O brasileiro, titular na equipa andaluza, entrou no jogo praticamente a cometer um penálti sobre Lukaku, aos 5’, ele que já tinha feito penáltis nos dois jogos anteriores – e foi o belga a converter o castigo, deixando os italianos em vantagem. De Jong, actualmente na enfermaria do FC Porto, promoveu a reviravolta aos 12’ e 33’, com Godín a deixar o jogo empatado aos 35’.

Já ia a segunda parte bem adiantada quando Diego Carlos teve o seu momento de inspiração ofensiva. Bola pelo ar e, em vez de ir lá com a cabeça, experimentou um pontapé de bicicleta. A bola foi na direcção da baliza e ainda sofreu um toque na perna direita de Lukaku, antes de entrar. 3-2 para o Sevilha, naquela que era a sexta vez que ganhava a competição (e ainda iria ganhar mais uma), e confirmação de Diego Carlos como um central de nível internacional.

Antes da glória europeia em Sevilha, Diego Carlos teve de passar por muito até encontrar o seu lugar no futebol. Natural de Dois Córregos, no interior do estado de São Paulo, Diego Carlos foi daquelas crianças que teve de lutar contra a pobreza, a trabalhar ao mesmo tempo que estudava e jogava futebol para ganhar algum dinheiro para a família, a cortar cana-de-açúcar, a apanhar laranjas e café, a vender gelados e como operário numa fábrica de móveis.

O seu percurso no futebol começou por baixo e chegou a levá-lo até ao São Paulo, onde nunca jogou, e foi colocado pela Traffic no Estoril. Os “canarinhos” emprestaram-no ao FC Porto B durante uma época e, depois, voltou à Amoreira, onde ganhou um lugar. Logo a seguir, foi vendido ao Nantes por 1,5 milhões e não parou de subir.

Chegou a ser convocado para a selecção brasileira – foi campeão olímpico em 2021. Em 2022, depois de três boas épocas no Sevilha, foi para a Premier League e para o Aston Villa, onde seria um dos capitães, mas, ao terceiro jogo da época, sofreu uma rotura do tendão de Aquiles. Não foi muito feliz em Inglaterra e também jogou pouco na Turquia pelo Fenerbahçe de José Mourinho. Esteve perto da saída no mercado de Inverno, mas ficou para ser decisivo à beira do lago.



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