Converta aqui: →
Em Madagáscar, os candidatos a ministros terão de passar por um detector de mentiras | Madagáscar


Depois de demitir o primeiro-ministro e o restante governo no início do mês, sem qualquer explicação, o Presidente de Madagáscar anunciou que os futuros ministros terão de passar por um detector de mentiras como fase do processo de escolha, numa tentativa de afastar a corrupção.

O coronel Mickaël Randrianirina, tornado Presidente de Madagáscar depois de ter liderado o golpe de estado em Outubro do ano passado, havia prometido “mudanças profundas”, sendo uma das suas bandeiras o combate à corrupção no país. Os protestos que levaram ao golpe de estado, levados a cabo por jovens revoltados com a escassez de água e de electricidade, rapidamente se transformaram em queixas mais amplas, incluindo a corrupção e a má governação.

Mas os jovens não ficaram satisfeitos com o novo governo inicialmente escolhido por Randrianirina, no qual viram um reflexo da elite corrupta que havia governado o país até então.

O governo foi demitido no início do mês, sem grandes explicações, e foi agora anunciado um método alternativo para filtrar os candidatos ao novo Executivo: um detector de mentiras. “Decidimos recorrer a um polígrafo. É através deste polígrafo que será realizada a verificação dos antecedentes [dos candidatos]”, explicou o Presidente à imprensa local, segundo o The Guardian.

O processo de selecção dos novos ministros passa por serem testados por um polígrafo, uma máquina que avalia a veracidade das respostas dos candidatos, que determinará quem passa à fase seguinte. Se a máquina não detectar nenhuma anomalia, o candidato passará à próxima etapa, uma entrevista com o Presidente e o primeiro-ministro. Quem for apanhado a mentir, não chegará à entrevista.

“Não procuramos alguém que seja 100% limpo, mas sim com mais de 60%. Dessa forma, Madagáscar poderá finalmente desenvolver-se”, acrescentou Randrianirina.

Um dos gestores de redes sociais do movimento jovem que levou a cabo os protestos no ano passado, manifestou cepticismo quanto ao uso desta nova estratégia de recrutamento. “Nem sequer está cientificamente provado que funcione”, disse, citado pelo The Guardian. “Para mim, é apenas uma piada e é embaraçoso”.

Depois da demissão do anterior governo no início do mês, Randrianirina apressou-se a apontar como novo primeiro-ministro Mamitiana Rajaonarison, que desde 2021 liderou uma unidade de combate a fluxos financeiros ilícitos, lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo. Antes disso, ocupou vários cargos de direcção no Gabinete Anticorrupção de Madagáscar.

“Este país precisa de uma pessoa íntegra, de princípios, incorruptível e que não possa ser comprada com dinheiro”, afirmou Randrianirina aquando da nomeação do novo primeiro-ministro.

O Presidente interino, que convocou eleições presidenciais para o final de 2027, espera com estas decisões eliminar a corrupção em Madagáscar, aquele que foi considerado o 10.º país mais pobre do mundo em 2025 pela revista Global Finance.

Texto editado por Ivo Neto



Source link

Sobre O Autor

Deixe uma Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress