Saiu tarde, mas saiu
A demissão da ministra da Administração Interna chega como aquelas vindimas fora de época: já ninguém esperava grande coisa, mas o cheiro a mofo vinha de longe. Há muito que o cargo lhe ficava grande, não por excesso de ambição, mas por escassez de rumo. Ainda assim, decidiu ficar. Ficar para quê? Para fazer asneiras e apresentar muita falta de humanismo. Que grande adega.
Não foi por falta de sinais, nem falta de avisos. Foi insistência. Daquelas que não constroem legado, apenas saturação. A ministra sai, o país segue, e fica a pergunta retórica a que ninguém responderá: era mesmo preciso ficar tanto tempo só para confirmar aquilo que já era evidente? Sr. primeiro-ministro, quem vem a seguir?
João Regufe, Leça da Palmeira
“Cabeça” ou “Peter”
Maria Lúcia Amaral é vulgarmente considerada uma “Cabeça”. Foi professora catedrática de Direito, vice-presidente do Tribunal Constitucional, conselheira de Estado e… provedora de Justiça. Deste último cargo, transitou para ministra da Administração Interna, de onde caiu agora com estrondo. Nos três primeiros cargos foi, provavelmente, “cabeça”, nos dois últimos foi a encarnação do “princípio de Peter”. No final do cargo de provedora, “tocaram-me as campainhas” ao vê-la pedir a fiscalização sucessiva da lei da morte assistida (vulgo, eutanásia) que aprovada — pela enésima vez — na Assembleia da República, voltou à “estaca zero”, até hoje. Ela que era a “defensora dos cidadãos” perante os poderes públicos, toma, de “moto próprio”, o ataque a alguns que sofrem de uma forma que merece compaixão sob legalidade. E estava para vir pior ainda: a passagem para uma pasta ministerial que, de alguma forma, briga com a da provedoria. E, ainda por cima, para a desempenhar muito mal, como se viu. “Cabeça”, “Peter” ou outra coisa? Ou todas elas? Vá com Deus senhora professora!
Fernando Cardoso Rodrigues, Porto
Foi-se na borrasca
A ministra da Administração Interna não aguentou mais tempestade; logo, remando contra ventos e marés, não conseguiu manter-se, por mais tempo, à tona da água. E, por bem, terá pedido a exoneração do cargo, a qual já deveria ter sido solicitada há mais tempo, uma vez que a sua “embarcação” não tinha arcaboiço/cavername suficientemente forte para enfrentar tenebrosos temporais.
Até Henrique Gouveia e Melo, homem destro para tais extremas situações, já havia lembrado ao primeiro-ministro que reflectisse sobre se Maria Lúcia Amaral estaria devidamente apetrechada, ou se seria a pessoa indicada e com condições para enfrentar tão perigosos adversários como Éolo e o louco Adamastor.
José Amaral, Vila Nova de Gaia
A Primavera do senhor Ventura
“Quando vier a Primavera,/ Se eu já estiver morto,/ As flores florirão da mesma maneira/ E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. / A realidade não precisa de mim.” (Alberto Caeiro)
Aos seus olhos, o senhor Ventura, é a nossa Primavera. Engana-se, um dia irá desaparecer politicamente e a Primavera irá aparecer como sempre, sem rastos de xenofobia, demagogia ou cobardia políticas. É uma papoila saltitante que perderá o Norte sem nunca o ter encontrado. As árvores e as raízes não se deixarão influenciar por esta “toupeira” itinerante. As suas ideias são bafientas, inúteis, não contribuem em nada para uma sociedade culta e harmoniosa. Quem necessita da sua existência? As “hienas” da sua bancada, que desaparecerão ao mínimo problema. Nessa altura, o senhor Ventura poderá chegar à conclusão de que a realidade não precisa dele. Isto não é um sonho, é a veracidade dos pequenos ditadores receosos, que após a sua vigência se tornam natureza morta.
Armando Jorge Pinto, Guimarães
Uma grande vitória e uma derrota
Na minha opinião, Portugal saiu a ganhar com a vitória de Seguro e também com a derrota de Ventura. A moderação triunfou sobre o radicalismo. Apesar de Ventura se autoproclamar líder da direita, os resultados eleitorais demonstraram que os portugueses não confiam nele para liderar nada; as recentes eleições autárquicas foram um claro indicativo disso mesmo. Sei que tudo pode acontecer, mas acredito que Ventura só chegará a primeiro-ministro se o PSD e o PS continuarem a trabalhar de costas voltadas. Luís Montenegro, por razões ainda a apurar, carrega a responsabilidade de ter facilitado o caminho para o sucesso do Chega. No entanto, creio que, se o líder do PSD não corrigir a sua política errática, acabará ultrapassado por Ventura, mais tarde ou mais cedo.
Neste xadrez, o papel do recém-eleito Presidente será determinante. Ao resgatar a dignidade institucional e a serenidade, Seguro posiciona-se como o garante contra o radicalismo. Para o PS, o caminho é claro: tem de insistir na moderação e numa maior intervenção política de modo a travar o reforço do espaço de Ventura.
Carlos Oliveira, Funchal

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