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Câmara dos Representantes dos EUA aprova revogação das tarifas de Trump ao Canadá | Guerra Comercial


A Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira uma resolução que propõe a revogação das taxas alfandegárias impostas pela Administração Trump ao aliado e vizinho Canadá.

A medida apresentada pelo congressista democrata Gregory Meeks dificilmente chegará a ser lei, uma vez que pode ser bloqueada pelo Senado ou vetada pelo Presidente norte-americano. Trata-se, no entanto, de um momento simbólico, tendo em conta que foi a primeira vez que a Câmara baixa do Congresso, que é controlada pelo Partido Republicano, desafiou a política de tarifas de Donald Trump, uma das “bandeiras” económicas da sua segunda presidência.

A aprovação da resolução (com 219 votos a favor e 211 contra) resultou, aliás, do voto favorável de seis congressistas republicanos à iniciativa democrata, numa demonstração rara de oposição do partido do Presidente à Casa Branca, que assenta na frustração sentida dentro do universo conservador não só com o impacto directo das tarifas no consumo e nas empresas norte-americanas, mas com o facto de estas terem sido impostas através de ordens executivas presidenciais, quando cabe ao Congresso a competência para tratar dessas matérias.

Em Fevereiro do ano passado, Trump anunciou a imposição de taxas alfandegárias de 25% para as importações do Canadá, que foram aumentadas para 35%, em Agosto, para todos os produtos que não estão abrangidos no acordo comercial USMCA, entre EUA, Canadá e México.

A proposta de Meeks contesta a “emergência nacional” decretada pela Administração Trump para justificar as tarifas, com o argumento de que o Governo canadiano está a falhar no combate à imigração irregular e ao tráfico de drogas (especificamente de fentanil) nas fronteiras entre os dois países.

“Vão votar para baixar o custo de vida das famílias americanas ou vão manter os preços elevados por lealdade a uma única pessoa?”, questionou o congressista democrata de Nova Iorque, no discurso que fez na Câmara dos Representantes antes da votação, na quarta-feira à tarde.

Uma sondagem da Pew Research Center, citada pelo Washington Post, mostra que 66% dos norte-americanos se opõe às tarifas punitivas contra o país vizinho. “O Canadá não é uma ameaça. O Canadá é nosso amigo. O Canadá é nosso aliado”, insistiu Meeks.

Não obstante, ainda os votos não tinham sido contados e Donald Trump assegurava, nas redes sociais, que “qualquer republicano, na Câmara [dos Representantes] ou no Senado, que vote contra as tarifas vai sofrer duramente as consequências na altura das eleições”, referindo-se, concretamente, às eleições intercalares para o Congresso, agendadas para Novembro.

Ao seu estilo, o Presidente norte-americano repetiu, na sua rede Truth Social, a narrativa de que o Canadá “se aproveita há muitos anos dos EUA no comércio”, que é o “pior negociador do mundo” e que as tarifas “oferecem segurança económica e nacional” ao seu país. “Nenhum republicano deve ser responsável por destruir este privilégio”, atirou.


Os estudos de opinião sobre as intenções de voto dos norte-americanos antecipam muitos ganhos do Partido Democratas nas midterms, que podem resultar na reconquista da maioria na Câmara dos Representantes e até no Senado.

Os congressistas republicanos que desafiaram Trump e que se uniram à minoria democrata na Câmara dos Representantes para aprovar a resolução de Meeks são Don Bacon (Nebrasca), Thomas Massie (Kentucky), Brian Fitzpatrick (Pensilvânia), Kevin Kiley (Califórnia), Dan Newhouse (Washington) e Jeff Hurd (Colorado).

A própria realização da votação também é simbólica, uma vez que Mike Johnson, presidente da câmara baixa do Congresso e grande aliado de Trump, recorreu a complexos argumentos processuais e regulamentares para impedir, durante meses, que os congressistas se reunissem em plenário para decidir sobre legislação relacionada com as tarifas do Presidente.

Em declarações à CNN, depois da votação, Johnson garantiu, no entanto, que Trump “não está chateado” com os republicanos que apoiaram a resolução de Meeks, porque “compreende o que se está a passar”, e acrescentou que este desfecho “não vai afectar ou mudar a sua política”, já o chefe de Estado pode recorrer ao poder do veto.



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