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do rancho folclórico aos palcos da comédia – Observador



Como disse, há pessoas engraçadas em todo o lado. Mas o stand-up, em particular, é mais predominante nas grandes cidades, como o Porto e Lisboa. Na série Bilhete de Ida, que fez com os comediantes André Barbosa, Jorge Gonçalves e Pedro Mata, desafiaram os limites do centralismo, num esforço de levar o stand-up para cidades mais pequenas, como Guimarães, Coimbra, Aveiro e Covilhã.
Exatamente.

Correu bem? O stand-up funciona fora dos grandes centros?
Sim, funciona muito bem. Parte da vida de um comediante, principalmente no início, quando não temos datas para atuar porque ainda não somos bons e as pessoas não nos conhecem, é arranjarmos o nosso próprio sítio, falar com um bar e tentar fazer lá às noites. Na série Bilhete de Ida, esse é o desafio: arrancamos à procura de um bar e, nesse mesmo dia, temos de organizar uma noite de comédia, arranjar público e atuar. A conclusão a que chegámos é que as pessoas querem rir em todo lado. Muitas vezes temos de fazer adaptações, por causa das referências e da faixa etária da audiência, mas, pelo menos para esta tour, estou a adorar ir a sítios fora dos grandes centros. O público não é educado para o stand-up e não está habituado a ver humoristas todas as semanas, mas quer rir-se na mesma, e o timing dos risos, as coisas a que acham graça, muitas vezes são diferentes. Claro que há sítios que são mais complicados do que outros, entre os comediantes diz-se muito “Aquele sítio, cuidado, é difícil…”

Sítios geográficos?
Sim, às vezes o próprio bar. Porque o stand-up tem muitas variáveis, da altura do teto — se é muito alto, os risos perdem-se — ao dono do bar não desliga a televisão durante a atuação, se o som das colunas é um bocadinho pior e uma pessoa tem de projetar mais a voz… E é por isso que é tão bom. Vamos aprendendo a dominar as técnicas com os anos. A certa altura, estas coisas deixam de acontecer, quando se começa a atuar em teatros, que são contextos muito mais controlados. Mas experimentar sítios diferentes dá-nos uma estaleca e uma ginga especial, por isso é que adoro ir a todo lado.

E também é um filão de mercado por explorar.
Exatamente. Fiz noites em Paços de Brandão, que é uma freguesia de Santa Maria da Feira, em que atuei para uma sala quase vazia, só para um casal: “Vocês pagaram o bilhete, tem de ser, vamos embora”. Lembro-me de atuar no Porto, há seis anos, e de não saber se ia haver noite de comédia, porque ainda não havia público. Hoje em dia há muitas noites e com uma produção de alta qualidade, no Porto Comedy Room, que faz três vezes por semana, no FeRRO, na Casa da Madeira… As pessoas não vão só aos teatros ver stand-up, mas gostam de ver os comediantes testar material, fazer piadas pela primeira vez. Mesmo quando corre mal, gostam de conhecer o processo evolutivo. Há seis anos, não imaginava que as coisas mudassem tão rápido.





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