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Diários da Berlinale: Homens que odeiam mulheres e um país intolerante na abertura do Festival de Berlim

Em Cabul e em todo o Afeganistão não parece haver homens bons, ou, pelo menos, de fiar. É a terra dos homens maus, somos levados a pensar. Esse é o mote de “No Good Men”, de Shahrbanoo Sadat, cineasta afegã que teve a honra de ser escolhida para abrir esta edição número 76 do Festival de Berlim. Uma abertura de forte vínculo feminista, mesmo sem perder o fio à meada na fórmula da “história de amor”, neste caso uma “comédia romântica política”, conforme a realizadora e protagonista do filme refere.

Tudo se passa nos bastidores do canal de notícias de Cabul, em 2021, pouco antes do regime dos Talibãs. O romance em questão é o de uma operadora de câmara, interpretada pela realizadora, e um jornalista veterano. Ambos são vítimas das regras dos casamentos forçados, mas sentem-se cada vez mais atraídos um pelo outro. Ela em busca de alguma dignidade numa sociedade patriarcal, ele preso à herança de todo um machismo crónico e, porventura, o único homem “bom” afegão.

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