Onde pára o LNEC?
Quando estamos a assistir ao triste espectáculo proporcionado pela forma como os responsáveis políticos e técnicos vêm respondendo aos acontecimentos provocados pelas intempéries que assolam o país, gostaria de chamar a atenção da comunicação social para o seguinte: interrogam-se os especialistas arrebanhados à pressa para dar uma explicação sobre o que se está a passar, ao mesmo tempo que os políticos vão fazendo julgamentos sobre o que está a acontecer tendo em conta apenas as suas colorações partidárias.
Infelizmente, nos dias de hoje, as competências nos serviços estão sistematicamente obstruídas por quadros de nomeação partidária, subalternizando aqueles que se sujeitaram a anos de estudo aprofundado e se recusaram a enveredar pela carreira política. Para ilustrar esta afirmação, cabe-me recordar a forma como uma instituição como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, verdadeiro alforge de competências nas áreas da engenharia, está em silêncio, sem que seja solicitado para intervir e explicar o que deve ser feito para que estes factos não se repitam.
A forma como esta venerável e muito prestigiada instituição não é solicitada sugere-nos que a sua presença, produzindo opiniões cujos critérios se baseiem apenas no conhecimento e na competência, não será a mais conveniente para os responsáveis. Acabem, por favor, com os especialistas de coisa nenhuma e com os explicadores políticos de bancada que apenas conhecem a argumentação conveniente no hemiciclo da Assembleia da República.
António Almeida, Porto
Que bom que era
Há já alguns dias que, por um certo pudor, ando a evitar abordar o tema da exclusividade nos canais televisivos de notícias, dos assuntos relacionados com os temporais que temos sofrido. Agora, encorajado pelo editorial de David Pontes, Se desligar a TV deixa de chover?, no PÚBLICO de ontem, venho à matéria, não para explicar o que já está mais do que explicado, não para perorar ou lamentar o que já está mais do que feito, mas para denunciar um certo enfado em ver e ouvir tanta verborreia. Será que eu não aguento mais o tema por falta de sensibilidade minha? Ou, de facto, trata-se da tal “onda noticiosa” de que fala o director do jornal, a pecar pela exaustão que acaba por provocar nos espectadores? É bom que saibamos do que se passa, que tenhamos noção exacta da medida em que tais fenómenos vão, fatalmente, interferir com a nossa vida e interesses. Mas convém não esquecer que o mundo, em Portugal e lá fora, continua a girar e a interferir igualmente nas nossas vidas.
José A. Rodrigues, Vila Nova de Gaia
Ana Abrunhosa e Gonçalo Lopes, dois exemplos
O trabalho de Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, tem sido absolutamente louvável, e tem mostrado de uma forma clara como se deve proceder face às adversidades, tal como já havia feito o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes. Se Luís Montenegro tivesse tido desde o início das adversidades que têm atingido Portugal o mesmo comportamento que Ana Abrunhosa e Gonçalo Lopes, por certo que a ajuda civil e militar teria chegado muito mais cedo às populações. A competência dos dois chocou com a incompetência inicial de um Governo preocupado somente com a propaganda, o que ficou bem demonstrado com o vídeo de Leitão Amaro e com a encenação de Nuno Melo. Luís Montenegro anda agora, e ainda bem, muito diligente. Mais vale tarde do que nunca.
Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora
Um Presidente nefasto e irresponsável
Donald Trump está a tornar-se o Presidente mais nefasto, ignorante e irresponsável na História dos Estados Unidos. A anulação de uma conclusão científica que sustentava os esforços do país para regulamentar as emissões de gases com efeito de estufa configura o desmantelar das regulamentações climáticas. Trump, com a sua proverbial ignorância e desconhecimento do que representam as alterações climáticas no planeta em que vivemos — os Estados Unidos não escapam incólumes, como é evidente —, apelidou a declaração da Agência de Protecção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês) que proclamava que o dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa colocavam em perigo a saúde e o bem-estar públicos “uma das maiores fraudes da História”, afirmando, falsamente, claro, “que não tinha qualquer base factual ou legal”. Trump é um negacionista e todos os meios servem para atingir os fins. Para a Administração Trump — também integrará cientistas negacionistas? — as alterações climáticas prejudicam a economia, mas como a economia é prioritária a Administração Trump não acredita nas alterações climáticas. Para onde caminham os EUA e para onde caminha a Humanidade?
António Cândido Miguéis, Vila Real

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