
Quando terminou a primeira volta da Liga com 49 em 51 pontos possíveis, apenas quatro golos consentidos em 1.530 minutos e uma vantagem de sete e dez pontos para os rivais diretos, o FC Porto não só batia vários recordes históricos do melhor arranque de sempre como entrava numa zona onde haveria mais demérito se não fosse campeão do que mérito dos adversários. Não que o futuro campeão não trabalhe e jogue para isso (pelo contrário), até tendo em conta que recentemente os dragões já ganharam e perderam títulos partindo exatamente dessa fasquia dos sete pontos na era Sérgio Conceição, mas porque parecia impossível haver uma quebra tão grande que permitisse dar nova vida a Sporting e Benfica. Nos melhores jogos, os azuis e brancos ganhavam e convenciam; nos encontros menos conseguidos, marcavam e conservavam a vantagem, até pela muralha quase intransponível reforçada com Thiago Silva. Numa semana, esses alicerces “abanaram”.
Nacional-FC Porto. Diogo Costa tira o golo a Chuchu Ramírez (0-0, 32′)
Depois da primeira derrota no Campeonato em Rio Maior frente ao Casa Pia, na sequência de uma primeira parte onde “tudo o que podia correr mal, correu ainda pior”, o FC Porto esteve a um minuto de fazer o xeque quase mate ao título no clássico frente ao Sporting mas uma grande penalidade no último capítulo do tempo de compensação manteve tudo na mesma – com o Benfica a ganhar cinco pontos em duas jornadas. E como um mal raramente vem só, Samu sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e terá de ser operado (falhando assim o resto da época), ao passo que Martim Fernandes e Kiwior tiveram problemas físicos que colocavam a dupla de fora do próximo jogo a par do castigado Moura. A deslocação à Madeira era um momento chave para equilibrar a equipa a nível de resultados mas as baixas causavam mossa.
“Os últimos dias foram muito difíceis para todos nós. São notícias que trazem grande choque no balneário e em toda a gente que ama futebol mas o Samu é um homem forte. No dia a seguir esteve connosco aqui com um grande sorriso, sempre preocupado com a equipa. Aquilo que ele disse a mim e aos companheiros diz muito sobre ele. A única coisa que podemos fazer é estar com ele, desejar-lhe uma ótima recuperação. Claro que vai conseguir tornar este momento difícil em força para recuperar. Perdemos um jogador chave mas acho que já mostrei que tenho confiança nas qualidades do Deniz [Gül]. Já mostrou nas oportunidades que teve que é capaz de desempenhar a função. É um monstro fisicamente e agora é encontrar a continuidade. Tem o apoio de toda a gente no clube e espero ouvir muitas vezes a música dele [cantada pelos adeptos], que gosto muito”, apontara Farioli na antecâmara de uma partida onde voltou a passar ao lado de todas as polémicas que se passaram no último clássico e garantiu que tudo isso não entrava no balneário portista.
“Claro que os jogadores olham às vezes para os tweets e essas coisas mas todo o ruído, a poluição e a polémica que tentam construir não afeta a dinâmica do grupo. Não conseguimos o resultado que queríamos mas fizemos uma boa exibição. Há muitas maneiras de analisar o jogo e claro que toda a gente olha para o jogo com os seus óculos e perspetivas. Penso que merecíamos ganhar e, depois de analisar a frio, repito a mesma coisa. Jogámos com a mentalidade certa e a exibição foi muito positiva, sem o resultado que queríamos. Mas a realidade é que, devido ao vosso trabalho, a atenção ainda está no passado… O nosso futuro é o Nacional. Quando vieram ao Dragão, criaram dificuldades. Foi uma das equipas que nos deixou mais vídeos na primeira fase de construção porque pressionavam muito o guarda-redes, os laterais… E espero novamente isso, uma equipa capaz de gerir os vários momentos do jogo”, apontara o técnico italiano.
Em paralelo, entre críticas que ia deixando nas entrelinhas às análises feitas a todas as polémicos no último clássico e não tanto à parte jogada nas quatro linhas, Farioli manteve os elogios aos insulares (que no Dragão perderam pela margem mínima com um golo de penálti de Samu) e minimizou uma “pressão extra” por ter o Sporting e o Benfica a quatro pontos à condição, com os encarnados a terem mais uma partida na vitória nos Açores frente ao Santa Clara. “Estamos sempre a falar daquilo que falta mas nunca vejo comentários acerca do que estamos a fazer. Estamos contentes pelo processo, pelo momento em que estamos, com uma equipa que, até ao momento, não perdeu com os rivais. Sofreu um golo [na recarga] de penálti no último minuto e um autogolo… Há coisas de que deveríamos falar mais. Pressão? Vamos jogo a jogo. Espero que sejamos capazes de conseguir os resultados que queremos mas vamos enfrentar alguns desafios. A viagem, o relvado, a maneira como o Nacional joga, a qualidade que têm na frente… Vai ser difícil”, frisara.
Foi mesmo. Foi porque as baixas de nomes como Samu, Kiwior ou Martim Fernandes fizeram-se sentir, foi porque figuras como Froholdt ou Rodrigo Mora voltaram a ter um jogo em subrendimento, foi porque as aposta como Pietuszewski ou Deniz Gül trabalharam muito mas não conseguiram fazer a diferença. Contudo, e no final de um dia de homenagens a Pinto da Costa que começou de madrugada no Dragão, imperaram aqueles que são os principais capitães com ou sem braçadeira para resgatarem um conjunto com vários soldados feridos: Bednarek foi providencial marcando o único golo do encontro, Thiago Silva voltou a ser imperial nos duelos aéreos, Diogo Costa voltou a ter uma intervenção decisiva no momento chave a impedir o golo inaugural dos madeirenses e o FC Porto regressou aos triunfos… pela margem mínima.
Um símbolo eterno de Portismo ♾️#ImortaisPorDireito #CDNFCP pic.twitter.com/0ZaLGf5l1j
— FC Porto (@FCPorto) February 15, 2026
Ficha de jogo
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Nacional-FC Porto, 0-1
22.ª jornada da Primeira Liga
Estádio da Madeira, no Funchal
Árbitro: José Bessa (AF Porto)
Nacional: Kaique; Alan Núñez, Zé Vítor, Chico Gonçalves, José Gomes; Matheus Dias, Joel Silva (Miguel Baeza, 46′), Liziero (Laabidi, 85′); Witi (Pablo Ruan, 71′), Paulinho Bóia (Daniel Júnior, 85′) e Chuchu Ramírez
Suplentes não utilizados: Kevyn, Lucas João, Martim Watts, Deivison e Pablo Cardozo
Treinador: Tiago Margarido
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu; Alan Varela, Froholdt (Fofana, 74′), Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 59′); Oskar Pietuszewski (Borja Sainz, 59′), Pepê (William Gomes, 89′) e Deniz Gül (Moffi, 74′)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Pablo Rosario, Prpic e Gabriel Brás
Treinador: Francesco Farioli
Golo: Bednarek (59′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Chico Gonçalves (45+1′), Liziero (84′), Kaique (87′) e Vallier (90+3′)
À semelhança do que tem acontecido com várias equipas que defrontaram o FC Porto nos últimos encontros, o Nacional não demorou a mostrar ao que vinha com e sem bola, procurando sempre na frente a velocidade dos alas ou os movimentos de Chuchu Ramírez e criando zonas de pressão sem bola que deixavam os centrais soltos para congestionarem a área da primeira fase de construção. Os dragões procuravam outras formas de saída, numa equipa que apresentava Zaidu, Thiago Silva, Rodrigo Mora, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül de início perante as várias baixas na deslocação à Choupana, mas eram os insulares que se mostravam bem mais confortáveis na partida que tinhas apenas um remate de meia distância de Alan Varela ao lado (3′), tendo até mais períodos de posse no meio-campo contrário do que seria expectável. Só a agitação de Pietuszewski a partir da esquerda conseguia trazer algo de novo aos azuis e brancos, com o polaco a ter o primeiro remate enquadrado para defesa de Kaique (11′) e a ganhar um canto para Deniz Gül desviar sem perigo (13′).
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