
“No início do projeto, queríamos uma produção 100% em Portugal. Mas, tendo em conta o patamar que tínhamos de alcançar em termos de formulação e complexidade, tivemos de encontrar parceiros já com esse nível tecnológico. Então, a nossa busca foi diretamente para a França, que é um grande centro de pesquisa cosmética”, assinala Ângelo, que explica que a marca produz em dois laboratórios na Bretanha e em Estrasburgo, que também desenvolvem ativos para outras marcas já conhecidas da indústria cosmética. Há ainda dezenas de produtos concebidos para lançamentos futuros e o desejo de que a produção também passe a ser portuguesa. “Somos acionistas deste laboratório em Estrasburgo e a nossa ideia é trazer este know-how para Portugal e criar aqui uma célula de busca e desenvolvimento de ativos”, explica o fundador.
A aposta vem num momento em que as marcas consolidadas no mercado enfrentam o boom da estética coreana, que ganhou tração com os muitos vídeos virais no TikTok e no Instagram. Diante de um cenário em que a literacia cosmética é cada vez maior — em que nomes como ácido hialurónico, niacinamida ou peptídeos já não são assim tão difíceis de decifrar — a Lusipure aposta na transparência na lista de ingredientes, com no mínimo 97% vindos de origem natural, para conquistar um mercado pequeno mas valioso, no segmento de luxo em Portugal. “Queremos nos instalar como uma marca com personalidade portuguesa. Temos uma expressão também do luxo à portuguesa, que é um luxo minimalista, em que a estética traz alguns símbolos da portugalidade, como a filigrana e o Coração de Viana. O nosso logótipo tem o mar, de onde vêm as algas; e as folhas da oliveira, mas também é simbólico, como se fosse uma fadista com o vestido a cantar no palco”, explica Ângelo, que não considera que o hype das redes sociais represente uma concorrência à marca recém-lançada.
A oferta portuguesa neste setor específico, focado em clientes com maior poder aquisitivo, de facto não é tão vasta. A açoriana Ignae, por exemplo, lançada em 2017, apresenta ativos extraídos de solos vulcânicos e águas termais e tem produtos que começam nos 92 euros. Já a Dvine, lançada em 2015 e inspirada nas uvas do Douro, chegou a ter Daniela Ruah como embaixadora, mas foi saindo das prateleiras com o passar dos anos, e hoje já não está disponível para compra. Os produtos da Lusipure tem sido apresentados ao público aos poucos desde o início deste ano, com preços que vão de 39 euros por um gel de limpeza a 98 euros pelo sérum global. A venda, até agora, é exclusivamente online, e está disponível em Portugal e em França, mas o plano é chegar a farmácias e concept stores, assim como hotéis e SPAs, um setor que em Portugal é dominado por marcas estrangeiras, como as britânicas 111SKIN e Ila, a japonesa Sensai ou a espanhola Natura Bissé. Para entrar neste segmento, a Lusipure desenvolveu protocolos de tratamento específicos, com a orientação dos laboratórios franceses que já têm experiência na área.
Segundo Ângelo Luís, o foco é no mercado nacional, mas a comunicação da marca tem sido feita também em inglês. Isso porque, o fundador assume, dentro do público que consome itens de luxo em Portugal estão os estrangeiros que visitam ou vivem no país. “Há mais de 30 milhões de turistas que vêm a cada ano. Por isso que também é importante a transparência quando uma pessoa começa a conhecer a nossa marca. Temos uma carta que demonstra de onde vêm os produtos, como são feitos, qual é a lista de ingredientes”, explica o fundador, que confia no sucesso da combinação do luxo com a sustentabilidade. “Portugal ainda é pouco reconhecido em termos da expressão do luxo. E é uma vontade nossa mostrar Portugal por esse lado, não só num produto puramente natural, com eficácia, mas também com uma personalidade elegante.”

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