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Promessa cumprida

Anunciado pelo chefe do Governo numa festa que deu brado, quando o país se debatia com os terríveis incêndios do verão passado, sabemos agora que o regresso da Fórmula 1 ao Algarve está garantido por duas épocas, já que parece não precisarmos de comprar meios para combater incêndios nos próximos anos.

Outra coisa não era de esperar, pois, com uma economia pujante e bem gerida – pelo que dizem conceituados analistas –, seria imperdoável que aquelas provas, indispensáveis para o bem-estar de um país habituado a posicionar-se nos primeiros lugares da maioria dos índices, não fossem realizadas entre nós. E numa região deprimida e carecida de ofertas para reanimar a periclitante indústria hoteleira, cujos lucros – se os houver – serão investidos em Portugal, como é usual. Por isso, devemos estar orgulhosos e gratos por uma iniciativa que, custe o que custar – 60, 100 ou muitos mais milhões –, nos permitirá ter a oportunidade de usufruir de um acontecimento que poucos países conseguem apresentar.

Celerino Dias, Viana do Castelo

Spimunviva para os olhos dos portugueses

O Governo não caiu por causa de qualquer queixa-crime contra Luís Montenegro. A crise que derrubou Montenegro foi por causa da sua empresa de consultoria de propriedades, que depois passou a ser da sua família, o que provocou acusações de conflito de interesses. Tal alegação resultava em questões de falta de ética. A queda do Governo deveu-se, nesta sequência, à opção de Montenegro de propor uma moção de confiança que sabia que seria chumbada, em vez de provar transparência e rebater claramente a acusação, e expondo-se a uma comissão de inquérito. O discurso do primeiro-ministro foi areia, ou melhor, Spinumviva para os olhos dos portugueses, pois a queixa-crime não se colocou na votação da moção de confiança, e a questão do conflito de interesses continua por esclarecer. Essa moção foi um cálculo político, que resultou num tiro no pé com a subida do Chega.

Luís Filipe Rodrigues, Santo Tirso

A falta de memória de Marques Mendes

É lamentável, é vergonhosa e é intelectualmente desonesta a forma como Luís Marques Mendes perdeu a memória selectiva. Qualquer trabalhador português normal, desde o mais simples ao investigador mais qualificado, se lembra de quase todos os sucessos e insucessos da sua vida profissional. Infelizmente em Portugal, só os políticos e os detentores de poder económico é que perdem a memória. Luís Marques Mendes nem se lembrou do nome de uma sociedade da qual foi sócio! Precisaria Marques Mendes de um desenho? Talvez! Quando será que estes senhores se convencem de que os portugueses não são burros nem parvos e deixam de ser intelectualmente desonestos? Já não tenho paciência para tanta falta de vergonha, para não lhe chamar outra coisa, destes senhores. Que falta fazem homens como Salgueiro Maia e Jorge Sampaio. Que falta fazem!

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

“Porcos”

O sanguinário e malformado Putin apelidou os líderes europeus de “porcos”. O mesmo epíteto já o dissera Dmitri Medvedev‎, uma espécie de “carniceiro putiniano”. Putin terá excluído da “pocilga europeia” os líderes da Polónia, Áustria, Hungria e Itália, por existirem algumas e perigosas razões divergentes e separatistas para a coesão da Europa, para além dos países componentes da União Europeia. Ou a Europa, em uníssono, fala e age apenas a uma só voz, ou, então, virá a ser subjugada pela tenebrosa Federação Russa, após a anexação da Ucrânia.

José Amaral, Vila Nova de Gaia

Narrativa bélica e idade da reforma

A narrativa bélica de que a Rússia, se vencer a Ucrânia, vai invadir a Europa pegou como supercola. Inicialmente, a Europa seria invadida até 2030. Agora, pelas contas de Zelensky, a Rússia prepara-se para mais um ano de guerra. A comunicação social deve ser isenta nas apreciações que faz da guerra Ucrânia-Rússia. Noticiar que a Rússia perde 30 mil soldados por mês sem indicar as baixas ucranianas é desinformação. A guerra entrou no quarto ano. Se durar dez anos, a UE vai continuar a injectar milhares de milhões de euros dos contribuintes europeus? Enquanto a França e Bélgica estão a sofrer com as manifestações dos agricultores, a União Europeia está mais preocupada com os activos russos. Não falta muito para que as contas bancárias dos europeus estejam em risco de servir uma guerra sem fim. Estarão os dirigentes políticos europeus à altura dos acontecimentos? Não é por acaso que em França a idade da reforma está nos 62 anos e nove meses, enquanto em Portugal passa os 66 anos. É que os franceses saem à rua, enquanto os portugueses discutem futebol.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

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