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Ípsilon | PÚBLICO


Serão o grupo de hip-hop português em actividade há mais tempo sem interrupções. Do Bloco 24 de Ramalde, no Porto, ao exíguo e fervilhante 2.º Piso de Vila Nova de Gaia, o espaço do produtor e rapper Mundo Segundo que se tornou uma meca da música portuguesa, do underground aos festivais, a história do rap em Portugal não pode ser contada sem eles.

Foi o que quisemos fazer: Ricardo Farinha falou com os cinco membros dos Dealema e com pessoas que com eles se cruzaram. O que apresentamos na edição desta sexta-feira do Ípsilon é a história oral da banda do Grande Porto, referência incontornável do hip-hop português.

Os Dealema celebram 30 anos de vida com um novo disco, 96 ao Infinito, e um concerto (esgotado) no Coliseu do Porto, a 20 de Fevereiro. Com eles, percorremos estas três décadas.

Citemos DJ Guze, por exemplo, sobre os primeiros tempos da aventura “dealemática”. “Éramos miúdos, não havia pratos nem nada. Gravávamos numa aparelhagem, fazíamos loops nas cassetes, cortávamos a fita, ‘bota fita-cola’ e gravávamos com um pequeno micro. No fundo, era como ir à missa ao domingo. Reuníamo-nos sempre aos sábados de manhã. Íamos de autocarro, uma hora de viagem para atravessar o Porto inteiro.”

Na versão online deste artigo pode também ouvir uma selecção de 30 momentos da carreira dos Dealema e dos seus membros.

Nesta edição, temos mais música portuguesa (tem sido, aliás, uma constante, tantos são os motivos para falarmos dela). Temos Bruno Pernadas a falar sobre unlikely, maybe, o seu novo disco, e temos Calcutá, cujo álbum de estreia, Soon After Dawn, é louvado por Mário Lopes (quatro estrelas e meia!). “Fazer música”, diz ela, Teresa Castro de seu nome, “é pôr-me em contacto com essa sensação, com esse mistério de estar viva”.

Nasceu na sombra de marinheiros, prostitutas e marginais. Mas o Cais do Sodré sempre foi visitado por uma Lisboa em busca de gozos proibidos. João Macdonald conta em livro como se forjou a identidade do bairro, a “cidade livre” dentro da cidade.

“Ainda não aprendemos a viver vidas felizes”, diz Mark Lilla, autor do livro Ignorância e Felicidade. O historiador de ideias debruça-se sobre a nossa “vontade de ignorar” para nos ajudar a navegar num mundo onde a verdade se tornou uma contingência.

Kaouther Ben Hania usou a voz de uma criança palestiniana no momento em que ela pediu ajuda antes de ser abatida pelas forças israelitas. O gesto artístico e político abriu polémica. Em conversa com Vasco Câmara, a cineasta defende o seu A Voz de Hind Rajab. “Sei que ouvir a voz dessa criança não é confortável, mas a situação não é confortável e o que se passa em Gaza não é confortável.”

Também neste Ípsilon:

— Teatro: Azira’I: Um Musical de Memórias, espectáculo autobiográfico de Zahy Tentehar, na Gulbenkian; Empregos Modernos, de Alfredo Martins, em Lisboa, Matosinhos e Penafiel;

— Cinema: recensões de Hot Milk, O Monte dos Vendavais, Sem Alternativa, La Vie de Maria Manuela e Girls on Wire.

— Exposição: For Keeps, Noé Sendas na Galeria Carlos Carvalho, em Lisboa.

— Livros: recensão de Os Lobos da Floresta da Eternidade, de Karl Ove Knausgård.

Boas leituras!

Os textos desta newsletter sem os respectivos links ainda só estão disponíveis na edição impressa.


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O Ípsilon faz 25 anos e fizemos uma revista especial, com 96 páginas, para o celebrar. As nossas 50 apostas, a cultura nos últimos 25 anos e o que vem aí



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