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Ferreira do Zêzere mostra a sua resiliência no festival de Lagostim e Peixe do Rio | Gastronomia


“Se não podemos vencê-los… Vamos comê-los.” Foi com este slogan que nasceu, em 2008, o Festival Gastronómico do Lagostim e Peixe do Rio. A abundância — ou praga — de lagostim-vermelho na albufeira de Castelo do Bode transformava-se assim em estrela de um festim para o palato. Em 2026, o contexto é outro e o apelo também. Mas o espírito mantém-se.

No final de Janeiro, a passagem da tempestade Kristin agitou muito mais do que as águas de Ferreira do Zêzere: casas parcial ou totalmente destruídas, árvores caídas, estruturas vergadas, cortes de energia, água e comunicações. Tendo em conta os prejuízos e as prioridades, não há condições para as actividades paralelas que o festival costuma promover, como showcookings, workshops, passeios e outras animações. Mas isso não impede que se realize. Pelo contrário, só o torna mais importante.

“A organização optou por manter o festival com o objectivo claro de apoiar os estabelecimentos de restauração ferreirenses e continuar a promover os produtos endógenos que distinguem a região”, sublinha a autarquia em comunicado. “Mais do que um evento gastronómico, esta edição assume-se como um gesto de resistência e união”, acrescenta.

“Face às dificuldades enfrentadas”, justifica, “é uma forma de contribuir para a dinamização económica de Ferreira do Zêzere, concelho duramente fustigado e que importa não deixar cair no esquecimento”.

Toda a atenção se concentra, então, nos pratos servidos pelos 12 estabelecimentos que se associam à iniciativa. Oito restaurantes e quatro cafés/pastelarias pegam nos “sabores autênticos” que o rio lhes oferece para dar a provar uma combinação de “pratos tradicionais e propostas criativas, valorizando a qualidade da matéria-prima local e o saber-fazer dos profissionais”.

Variedade e criatividade não faltam às ementas, que vão do lagostim à coentrada do restaurante AmarOcomer até aos lombinhos à Dornes da Fonte de Cima, passando pelo lúcio frito n’O Cantinho da Alma, o lagostim à moda da pizaria O Mal Casado, o ensopado d’O Rio, as alheiras de carpa e lagostim do Reinado de D. Dinis, a açorda da Doce Tradição ou o crustáceo metido em risotto ou na broa pelo Rivus Zêzere, entre muitas outras sugestões.

“O Festival Gastronómico do Lagostim e Peixe do Rio é, este ano, mais do que uma celebração de sabores”, remata a nota da câmara municipal. “É um convite à solidariedade, à descoberta e ao apoio a uma terra que continua a afirmar-se através da sua identidade, tradição e hospitalidade.”



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