Oito dos países que mais petróleo produzem anunciaram, neste domingo, a intenção de reforçar a sua oferta, numa tentativa de limitar a subida dos preços, que deverá ser provocada pelo actual conflito no Irão. O aumento da produção decidido é, no entanto, para já relativamente modesto.
Os países do chamado OPEP+, um grupo que junta os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Rússia, anunciaram, no final de uma reunião realizada neste domingo, que irão aumentar a sua produção em 206 mil barris por dia a partir de Abril.
Este valor fica ligeiramente acima da subida de 137 mil barris que estava a ser planeada já antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, mas não chega sequer a metade do volume, acima de 400 mil, que começou a ser ponderado assim que o conflito teve início.
De acordo com a agência Reuters, em discussão entre os oito países — Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã — estavam aumentos de produção que poderiam ir de 137 mil barris por dia até 548 mil barris por dia.
A subida decidida, não só fica perto do ponto mais baixo do intervalo de acréscimo ponderado, como representa um valor modesto quando comparado com os aumentos de produção de 2,9 milhões de barris por dia realizados pelos países do OPEP+ entre Abril e Dezembro do ano passado.
Além disso, os 206 mil barris por dia adicionais que irão chegar aos mercados a partir de Abril representam cerca de 0,2% da oferta global de petróleo, um valor que não é mais do que uma pequena fracção dos volumes de petróleo que podem ficar em causa num cenário em que o estreito de Ormuz deixa de poder ser utilizado para o transporte de petróleo.
Cerca de um quinto do petróleo mundial, proveniente de poços da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irão passa pelo estreito de Ormuz. De igual modo, grandes volumes de gás natural produzido pelo Qatar utilizam esta via para chegar a vários pontos do mundo, especialmente na Ásia.
É por isso que as primeiras reacções dos analistas à decisão tomada pelos países da OPEP foram de alguma desilusão, com as previsões de escalada dos preços do petróleo a não perderem força.
Em declarações à agência Reuters, Jorge León, um antigo responsável da OPEP que é agora analista na consultora Rystad Energy, alerta que “este movimento [de aumento da produção] não deverá conseguir acalmar os mercados”. “Os preços irão responder aos desenvolvimentos no Golfo e na forma como os fluxos de transporte marítimo estão a decorrer, não a uma subida relativamente pequena da produção”, disse.
Novas subidas de produção poderão vir a ser anunciadas nas próximas semanas, mas os analistas assinalam que, por trás deste acréscimo modesto agora decidido, poderá estar o facto de, entre os maiores países exportadores de petróleo, a capacidade disponível para aumentar a produção já começa a ser reduzida.

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