Enquanto a guerra entre o Irão e Estados Unidos e Israel está a concentrar a maioria das atenções, o conflito que o Paquistão iniciou na semana passada contra o Afeganistão continua a causar baixas. Do lado afegão, terão morrido 415 combatentes, garante o Governo paquistanês.
Segundo a AFP, este domingo as tropas afegãs e paquistanesas combateram ao longo da fronteira entre os dois países e houve uma tentativa de ataque aéreo à antiga base norte-americana de Bagram, a norte da capital afegã, Cabul.
Afegãos residentes em várias zonas junto à fronteira descreveram à AFP combates durante a noite e a polícia da província de Nangarhar confirmou a morte de dois civis em ataques com drones paquistaneses.
A Reuters dá conta de explosões fortes seguidas de tiros ouvidas por toda a capital do Afeganistão na manhã de domingo. O porta-voz dos taliban, Zabihullah Mujahid, afirmou que o Paquistão atacou Cabul e Kandahar, capital espiritual afegã.
Na quinta-feira, as autoridades paquistanesas anunciaram uma “guerra aberta” com o Afeganistão e insistem que as operações militares vão continuar enquanto não houver garantias de eliminação da “ameaça terrorista”.
Em causa estão os ataques conduzidos pelo grupo de combatentes islâmicos paquistaneses TTP (os chamados taliban paquistaneses), que operam a partir de território afegão, e que Islamabad diz ter apoio financeiro, logístico e operacional de Cabul.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, presidiu este domingo a uma reunião de alto nível para analisar a situação regional e de segurança do país, e decidiu, entretanto, adiar uma visita oficial à Rússia, segundo a televisão estatal PTV.
Esta emissora também cita o balanço actualizado publicado no X pelo ministro da Informação, Attaullah Tarar, a dar conta que, até às 16h de sábado, as forças paquistanesas mataram 415 combatentes talibãs afegãos e feriram outros 580.
Desde que começou, a Operação Ghazb lil Haq causou danos generalizados nas infra-estruturas militares, destruindo 182 postos de controlo e 185 tanques e veículos blindados. De acordo com os dados oficiais citados pela PTV, 46 locais em território afegão foram “eficazmente atingidos por via aérea”.
Não há um “desfecho claro” neste conflito, escreve o New York Times. “Os ataques aéreos do Paquistão no Afeganistão mostraram a sua esmagadora superioridade na guerra convencional, mas os talibãs aperfeiçoaram um repertório letal de tácticas de guerrilha.”
Os ecos do que se está a passar no Irão também chegaram ao Paquistão. Pelo menos 23 pessoas que participaram em protestos contra os ataques ao Irão foram mortos em confrontos, incluindo dez no porto de Carachi, onde guardas de segurança do consulado dos Estados Unidos dispararam contra os manifestantes que invadiram o muro externo, noticiou a Reuters.
Outros 11 pessoas morreram nos protestos na cidade de Skardu, no Norte do país, onde a multidão incendiou um escritório da ONU, e dois em Islamabad.

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