Converta aqui: →
Cartas ao director | Opinião


Os perigos do pacote

Na quarta reunião de discussão do pacote laboral, o Governo tem agora a oportunidade de mostrar que não se esqueceu das suas raízes sociais-democratas, procurando um entendimento em sede de concertação social, ou continuar uma fuga em frente, cedendo a Passos Coelho.

Retirar algumas das medidas mais polémicas da sua proposta, que no essencial visam o aumento da intensidade do trabalho, será aproximar-se da realidade: o aumento significativo da produtividade só se consegue com a melhoria da organização das empresas e com o investimento em equipamento e inovação, problemas que afectam muitas das nossas pequenas empresas, onde os patrões preferem muitas vezes investir mais no seu próprio parque automóvel…

Esmifrar mais os trabalhadores é uma táctica obsoleta do terceiro mundo. Insistir em passar as linhas vermelhas irá trazer confronto social, com benefício para a extrema-direita e incentivo ao avanço do Milei português; ceder mais uma vez à agenda de direita, empurrando o problema para o Parlamento, pode dar mau resultado: o contorcionismo de Montenegro, que não é acompanhado por gente mais vertebrada do PSD, pode originar lesões que o obriguem a sair do jogo.

José Cavalheiro, Matosinhos

Um rastejante Rangel

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, no âmbito da actual agressão dos EUA contra o Irão, não perdeu (como seria de esperar de quem há muito trocou a dignidade do cargo pela submissão) a oportunidade de mais uma vez demonstrar a sua extrema flexibilidade moral e miopia intelectual.

No seguimento da sua inconstância e incoerência em relação ao verdadeiro conteúdo do acordo entre Portugal e os EUA sobre a utilização da Base das Lajes, Rangel volta a revelar-se um servil lacaio dos interesses americanos e israelitas, pondo em risco a já bastante degradada imagem e dignidade de Portugal no mundo. O que temos é um governante que se move ao sabor das conveniências, incapaz de defender o interesse nacional quando este colide com os ditames vindos de Washington. A sua postura é a de quem, em vez de estadista, prefere o papel de lacaio: dócil, disponível e sempre pronto a curvar-se perante os poderes instalados, mesmo quando isso implica ignorar solenemente os compromissos e a dignidade de Portugal.

Paulo Rangel tornou-se assim o rosto de uma diplomacia acéfala, sem bússola, nem memória, nem vergonha. E Portugal, infelizmente, vai pagando a factura por ter um ministro que prefere rastejar a erguer-se. Ao ignorar as obrigações legais de Portugal, compromete não apenas a credibilidade da República, mas também a integridade dos princípios constitucionais que deveriam nortear a nossa política externa.

Manuel Mendes, Lisboa

O cavalo de Trump

Quando era rapaz e estudei a história de Roma, lembro-me de ter ficado vividamente estupefacto por ter existido um imperador – Calígula – que queria (ou conseguiu mesmo) nomear o seu cavalo (Incitatus) como senador e cônsul (não há certeza histórica de qual o cargo). A mim, jovem, o facto pareceu-me a maior aberração e loucura imaginável. Passaram 60 anos. Agora temos um Presidente dos EUA que manda um rapaz chamado Kushner negociar a paz na Ucrânia, sendo o seu currículo ser casado com a sua filha (Ivanka) e ter gerido o património imobiliário do patrão. E para ajudar o rapaz, mandou outro “negociador” da paz, um tal Witkoff, cujo currículo é ser seu parceiro de golfe e também saber bastante de imobiliário. Para rematar, manda a mulher (Melania – apenas conhecida como ex-modelo) presidir ao Conselho de Segurança da ONU (!) em tempo de guerra generalizada, tendo a senhora aproveitado este momento crítico mundial para falar de crianças e de empatia. Quais serão os tempos mais loucos? Os de Calígula ou de Trump? Eu acho que seria preferível ter o Incitatus sentado no Senado.

Fernando Vieira, Lisboa

Os EUA precisam de ajuda

A auto-intitulada maior superpotência militar precisa da ajuda de Israel e reclama participação de Inglaterra no ataque ao Irão. Não se compreende a retórica trumpista de se afirmar como o polícia do mundo e precisa de ajuda para vencer o Irão, que nem Força Aérea de combate tem. Mao Tsetung afirmou que “o imperialismo é um tigre de papel”. Nos últimos 50 anos, se fizermos as contas ao número de países que os EUA invadiram comparativamente com a China e a União Soviética, a pátria que viu nascer Lincoln deixa os gigantes sino-soviético a léguas. Afinal, quem promove as guerras no mundo?

Ademar Costa, Póvoa de Varzim



Source link

Sobre O Autor

Deixe uma Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress