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Portugal tem “muito potencial” para produzir caças suecos – Observador



Não é um leilão, mas a Suécia quer subir a parada. O Governo está prestes a dar início ao processo para a escolha dos aviões de combate que vão substituir os quase obsoletos F-16 da Força Aérea, e nos bastidores já se trava uma guerra de razões. À diplomacia económica dos EUA, interessados em vender os caças F-35 a Portugal, a Suécia responde não só com a promessa de entregar o “avião de combate mais avançado do mundo”, o novo Gripen E, como abre a porta à possibilidade de produzir parte do modelo em Portugal, nas oficinas da OGMA. “Tem muito potencial”, diz Daniel Boestad, vice-presidente do departamento de desenvolvimento dos Gripen.

Oficialmente, o Governo português ainda não deu início ao processo e não há conversas a decorrer, garante o responsável. Mas a empresa, que é uma das principais fornecedoras dos sistemas de defesa e segurança aeroespacial e naval da Europa, vai-se posicionando. “Achamos que [o novo Gripen] seria um produto excelente para Portugal”, sublinhou o responsável durante uma visita com jornalistas portugueses à sede da Saab em Estocolmo.

“Não há nenhum processo formal em andamento, vamos esperar que o Governo português lhe dê início, mas claro que vamos estar lá, e se nos fizerem questões vamos colaborar”, acrescentou Daniel Boestad, deixando nas mãos do Governo e da Força Aérea a tarefa de pesar os prós e os contras. Mas atira com aquele que espera ser um “pró” para a Suécia. A Saab tem há anos uma parceria com a OGMA e, quando questionado sobre se o modelo mais recente do Gripen pode vir a ter partes fabricadas em Portugal, o responsável não hesita: “Potencialmente, claro que sim”.

A Saab já o faz com o Brasil, o primeiro país, depois da Suécia, ao qual vendeu o novo modelo do caça. Chegaram às forças armadas brasileiras “11 ou 12” aeronaves, das 36 encomendadas, e algumas partes do novo modelo foram fabricadas no Brasil, onde a Saab também tem uma parceria com a Embraer, que é acionista da OGMA. A empresa sueca comprou quatro aviões de transporte à Embraer, os KC-390, que são também em parte produzidos nas oficinas da OGMA em Alverca. “Trabalhámos muitos anos com a OGMA” como subcontratada, explica o responsável. “É uma ótima empresa, fazem coisas impressionantes”.

Além do Brasil, o Gripen E já foi encomendado pela Colômbia e pela Tailândia. Também há um princípio de acordo para o fornecimento de 150 caças à Ucrânia ao longo da próxima década. Boestad não desvenda o valor que pode ter um contrato para a aquisição destes novos caças, porque “depende” de muitas variáveis. Mas sublinha que “o importante não é a etiqueta com o preço mas quanto custa operá-lo ao longo dos anos. E nós temos de longe a aeronave com o maior custo benefício ao longo do tempo”. O contrato recente que a Saab assinou com o Governo da Colômbia, por exemplo, prevê a entrega de 17 aeronaves por 3,1 mil milhões de euros.

No processo que vai levar à troca dos F-16, os suecos enfrentam uma concorrência feroz. De um lado estão os EUA. A Lockheed Martin também está interessada no contrato que o Estado português terá de fazer em breve, e tem posto a diplomacia a funcionar. Numa entrevista recente à CNN Portugal, o embaixador dos EUA em Lisboa, John Arrigo, destacou as vantagens da aeronave norte-americana. “O F-35 é o melhor caça. É um caça furtivo de quinta geração, vai levar a Força Aérea Portuguesa à Liga dos Campeões da UE”, defendeu. Questionado sobre se a diplomacia sueca também já começou a mexer-se neste sentido, Daniel Boestad não se alonga: “Só Portugal é que pode decidir o que quer”.





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