Converta aqui: →
António Lobo Antunes: o mundo da escrita | Ensaio


Quando um grande escritor morre, todos os que amam a literatura experienciam, de modo intenso e profundo, um sentimento de perda. Fica-nos a certeza de não mais podermos sentir os prazeres da descoberta de novos percursos no mundo fascinante da escrita de António Lobo Antunes. Para nela entrar, nada melhor do que sermos guiados pelo autor que numa crónica publicada em Segundo Livro de Crónicas nos diz: “Reparem como as figuras que povoam o que digo não são descritas e quase não possuem relevo: é que se trata de vocês mesmos. Disse em tempos que o livro ideal seria aquele em que todas as páginas fossem espelhos: reflectem-me a mim e ao leitor, até nenhum de nós saber qual dos dois somos” (2007: 115). Esta afirmação convoca uma imagem cara ao autor, a do espelho. Como observou Maria Alzira Seixo: “entre todos os motivos literários (…), um dos mais fortes é o do espelho, porque caracteriza o narrador na presença irrecusável de si a si próprio, dando conta das descoincidências entre volição e pragmática, entre desejo e remissão à incompletude” (2002: 62). Para além da sua função de refletirem imagens do autor e dos leitores, o espelho simboliza também a própria construção da produção romanesca antuniana, marcada por um continuum de escrita presentes nos ecos intertextuais que ressoam de livro em livro.

Os leitores são a força e a vida do jornal

O contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue – nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para assinaturas.online@publico.pt.



Source link

Sobre O Autor

Deixe uma Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress