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Fórmula 1: carros “encolhem” e turbos mudam procedimento de partida | Fórmula 1


O português Rui Marques, director de prova da Fórmula 1, explicou, no Bahrein, uma das principais alterações, introduzida pelas características dos novos monolugares, o que remete para os procedimentos nas partidas.

Desde logo, pelo facto de haver 22 carros na grelha, com a Cadillac a apresentar-se como 11.ª equipa, aumentando o tráfego e o risco de incidentes até à primeira curva.

Os testes de Janeiro e Fevereiro foram essenciais para ajudar a reformular o procedimento de arranque, que exige mais tempo (cinco segundos) para que todos os pilotos estejam em condições de efectuar a partida, face às características dos novos motores.

Além disso, na Austrália e na China, os dois primeiros Grandes Prémios de 2026, o straight mode, que substitui o DRS – e estará sempre activo nas rectas, embora só possa ser usado quando a diferença entre os carros seja inferior a um segundo -, será limitado até à primeira curva, para evitar surpresas desagradáveis na partida.

A configuração das unidades de potência exige uma sequência de acções por parte dos pilotos antes de assumirem as posições na grelha. E esta foi uma das grandes preocupações durante os testes.

Face à eliminação do motor eléctrico MGU-H, que auxiliava na aceleração do turbo, o turbocompressor depende totalmente da energia dos gases de escape e da rotação do motor, o que provoca um atraso.

Este atraso do turbo exige mais tempo para que a potência máxima disponível no arranque seja atingida, colocando aos pilotos o desafio de encontrar o ponto de equilíbrio para o melhor desempenho.

Depois da volta de instalação, os pilotos recebem o aviso: Os painéis azuis piscam por cinco segundos, seguindo-se o procedimento tradicional de luzes de largada. A partir daí, e caso tudo decorra sem problemas, deixará de haver restrições a partir do Japão.

Qualificação muda

Outro pormenor diz respeito à qualificação. Com mais dois carros em pista, será preciso eliminar seis pilotos na primeira fase (Q1), que durará 18 minutos, e mais seis na Q2 (15 minutos), passando a Q3, com 10 carros, a durar 13 minutos.

Mas as alterações vão muito além do momento do arranque das corridas e das qualificações. Os carros “encolheram” e perderam peso graças à extinção do MGU-H, mas o investimento disparou, essencialmente para os construtores poderem cobrir as despesas inerentes a uma transformação tão radical, acompanhando o nível de inovação necessário para criar monolugares competitivos.

Com os bólides menos volumosos, a aerodinâmica exigia novas soluções, começando pelo efeito de solo. Os túneis Venturi passam à história, bem como o famigerado porpoising, regressando os fundos planos, sem dispensar algumas características, como difusores maiores e aberturas mais amplas.

As asas dianteiras e traseiras (aerodinâmica activa) foram redesenhadas e as coberturas das rodas dianteiras eliminadas. Com a potência eléctrica a ganhar terreno face ao V6 turbo, surgem os modos “boost” e “recharge”, usando a recuperação de energia para um impulso extra para atacar ou defender, surgindo a indicação de overtake no volante para ultrapassagens.

As novas unidades de potência levam, ainda, a uma mudança no combustível, com os derivados de petróleo bruto ou matérias-primas fósseis a darem lugar a combustíveis sustentáveis, extraídos de matérias-primas avançadas, de resíduos de diferentes indústrias ou até de lixo orgânico.



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